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Geral IDH VERDE

Novo Índice de Desenvolvimento Humano agora é verde

Além de informações sobre renda, educação e saúde, o novo IDH contempla a emissão de carbono e a pegada ecológica por habitante, mensura o quanto o desenvolvimento e os impactos ambientais causado por ele pressionam o planeta. Em resumo a nova medição vai dizer se países estão ficando mais ricos de maneira sustentável

08/05/2021 08h56 Atualizada há 1 mês
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Por: Redação 4
Alfenas está 23º lugar em IDH no Estado de Minas Gerais/Foto: Arquivo - Guilherme Abraão
Alfenas está 23º lugar em IDH no Estado de Minas Gerais/Foto: Arquivo - Guilherme Abraão

Guilherme Abraão

O IDH foi criado nos anos 1990 para substituir o PIB per capita como medida de qualidade de vida. O PIB mede apenas a riqueza. O IDH une renda (sucessora do PIB), educação e saúde. Ou seja, se um país tem apenas riqueza, mas ela não beneficia o povo em anos de escolaridade e em expectativa de vida, isso vale pouco.

O objetivo da criação do Índice de Desenvolvimento Humano foi o de oferecer um contraponto ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Criado por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pretendia ser uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano, mas precisou se atualizar, diante da emergência climática que vivemos.

No final de 2020, quando o IDH completou 30 anos, a ONU (Nações Unidas) apresentou os resultados, que estão no relatório de 2020 do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), chamado de "A próxima fronteira: o desenvolvimento humano e o antropoceno". O levantamento indica que a qualidade de vida dos moradores dos países ricos ocorre às custas do meio ambiente, e da exploração em outras partes do mundo, fora de seus territórios. Este importante documento trouxe e apresentou a novidade verde.

Com a inclusão do impacto ambiental, a Noruega despencou no ranking mundial. Ela era o país líder do IDH. Mas seu bem-estar social depende da riqueza do petróleo que ela explora no mar, o que exporta, ou terceiriza, causando imensos danos ambientais em outras partes. Com a nova metodologia a Noruega caiu 15 posições, foi do 1º lugar para o 16º, esta mudança vai muito além do simbolismo dos lugares no ranking. Para os EUA, a queda foi pior, eles estavam em 17º no IDH, e caíram 45 posições no IDH Verde, estão agora na 62º posição.

O Brasil subiu 10 posições, chegou a 74º. Esta subida seria motivo de orgulho e comemorações, senão fosse as recentes noticias de aumento de desmatamentos na região amazônica, os crimes da Vale nas barragens de Mariana e Brumadinho, a falta de tratamento de esgoto nas cidades, o aumento dos garimpos, os ataques às lideranças dos povos indígenas e os constantes desmantelamentos nos órgãos de fiscalização e anistia aos degradadores. Ademais, o levantamento se refere ao ano de 2019 e, portanto, ainda não avalia os impactos da pandemia de COVID-19 no desenvolvimento humano.

E Alfenas, como está posicionada? Em comparação com outros Municípios de Minas Gerais, o Município está em 23º lugar. Em primeiro lugar em Minas está a cidade de Nova Lima. No Brasil, a cidade com maior IDH é São Caetano do Sul, em São Paulo. Em comparação com todos os Munícipios brasileiros Alfenas está em 350º lugar e é uma boa posição, agora precisamos esperar e ver como ficará a posição do Munícipio nas próximas atualizações utilizando a metodologia com critérios verdes.

O ex-Ministro da Educação, o professor e filosofo Renato Janine Ribeiro, defende a criação de uma Lei de Responsabilidade Social no Brasil, recentemente falou do IDH Verde, e fez uma proposta bem interessante: o prefeito, o governador, o presidente melhorou o IDH Verde? Se não melhorou, e se não der boas razões, merece não ser reeleito e, talvez, até ser acionado legalmente. Quem sabe um dia evoluímos para este ponto!

Uma proposta ousada, porém, extremamente importante, ainda mais nestes tempos de pandemia e de crise climática, que sabemos que nosso Planeta dá sinais claros que não suporta mais nossos padrões de comportamento e de exploração da natureza.

E tudo isso me faz lembrar a canção “As Aventuras de Raul Seixas Na Cidade de Thor”, do roqueiro baiano, gênio que profetizou:

“Buliram muito com o planeta / E o planeta como um cachorro eu vejo / Se ele já não aguenta mais as pulgas / Se livra delas num sacolejo(...)”

Mantenho as esperanças, e sinto que ainda podemos mudar os rumos da humanidade, para isso precisamos começar efetivamente pelas pequenas ações em nosso dia-a-dia!

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião deste portal de notícias.

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Sobre Ao Ponto
GUILHERME ABRAÃO, formado em Direito pela PUC Campinas/SP, aluno de Ciências Sociais pela UNIFAL. Foi consultor da UNESCO, Conselheiro Estadual de Cultura, Superintendente de Cultura da Prefeitura Alfenas/MG, foi Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados, Assessor Jurídico da Prefeitura de Pouso Alegre/MG, e Diretor Municipal de Cultura em Estiva/MG. Vice-presidente do Circuito Turístico Lago de Furnas. Faça contato através do e-mail: [email protected]
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