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Saúde ABELHA

Funed desenvolve pesquisas com abelhas há mais de 30 anos

Outras pesquisas realizadas pela Funed revelaram a importância das abelhas como polinizadoras de espécies de árvores nativas do nosso país como a aroeira

23/05/2021 09h09
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Por: Redação 4
Dia 20 de maio é comemorado o Dia Mundial da Abelha e ressalta a importância desse inseto para a polinização de plantas e produção de mel e medicamentos/Foto: FUNED
Dia 20 de maio é comemorado o Dia Mundial da Abelha e ressalta a importância desse inseto para a polinização de plantas e produção de mel e medicamentos/Foto: FUNED

Da Redação

Na Fundação Ezequiel Dias (Funed), as pesquisas sobre abelhas começaram há mais de 30 anos, a partir do estudo da origem de seus produtos.

A bióloga do Serviço de Recursos Vegetais e Opoterápicos (SRVO), Rânia Santana, explica que mais de 70% dos alimentos que consumimos atualmente dependem da polinização desses insetos. “A expressão: sem abelhas, sem alimento faz todo sentido! Além disso, a manutenção das matas também está diretamente relacionada à existência das abelhas, pelo mesmo motivo”, conclui.

Ao longo dos 30 anos de pesquisa sobre abelhas, formou-se na Fundação uma importante coleção científica de lâminas de grãos de pólen. O acervo dessa coleção integra hoje o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT): Herbário da Flora e Fungos (INCT-HVFF) e a rede de coleções biológicas SpeciesLink. Essa coleção, conhecida como Funed-Pol, possui quase cinco mil registros e pode ser consultada aqui.

Rânia também divulga seu conhecimento sobre abelhas para os visitantes do Programa Ciência em Movimento, que está temporariamente com as visitas suspensas em função da pandemia. “Uma das principais dúvidas dos visitantes é saber se é verdade que quando as abelhas ferroam elas morrem. Sim!”, explica. Ela detalha ainda que, muitas vezes, o ferrão fica preso na pele da pessoa ou do animal, pois ele é cheio de espinhos que dificultam sua saída. Além disso, pode acontecer de parte do intestino e do veneno da abelha também ficarem presos ao ferrão. Dessa forma, a abelha, sem esses órgãos, não sobrevive.

Para a analista, o maior desafio de abordar o tema para o público em geral é realmente diferenciar e mostrar a importância desse inseto. “A maioria das pessoas tem medo das abelhas por conhecerem apenas a abelha africanizada, que é uma espécie considerada mais agressiva, por ter o ferrão e utilizá-lo em defesa da colmeia”, argumenta.

De acordo com Rânia, existem inúmeras espécies de abelhas que não oferecem perigo algum aos seres humanos, que são os meliponíneos, conhecidos popularmente como abelhas indígenas sem ferrão. Dentro da Fundação, não há criação de abelhas africanizadas, Apis mellifera, uma vez que essas exigem um aparato de Equipamento de Proteção Individual (EPIs) e áreas maiores e mais isoladas para serem criadas sem causar acidentes.

No SRVO, existem apenas alguns ninhos doados, de duas espécies de abelhas nativas sem ferrão, jataí e mirim, e, na Funed, existem vários ninhos naturais localizados em muros e árvores espalhados pelos espaços. “A criação racional de abelhas, sejam elas com ferrão ou sem, é feita em caixas de madeira adaptadas à organização da colônia de cada grupo, que são estrategicamente colocadas em fragmentos de mata ou próximas a plantações que forneçam recursos florais para sua sobrevivência”, finaliza a pesquisadora.

Apiterapia

A apiterapia é o uso de produtos oriundos das abelhas no tratamento e prevenção de doenças, como explica o farmacêutico do SRVO, Júlio Brito. Ele também explica que a apiterapia foi incluída nas práticas integrativas do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Portaria N° 702, de 21 de março de 2018, do Ministério da Saúde. Essa portaria traz a apitoxina – extraída da glândula de veneno da abelha –, geleia real, pólen, própolis, mel, dentre outros que compõem categorias diferenciadas. A portaria cita ainda que a apiterapia, em situações específicas, pode contribuir com o SUS, principalmente com a economia de gastos em instituições públicas, por utilizar matéria-prima de baixo custo.

Pesquisas em desenvolvimento

Atualmente, o SRVO da Funed mantém alguns projetos de pesquisa que envolvem as abelhas. “Estamos desenvolvendo diversos trabalhos com foco na aplicação clínica e na caracterização química dos compostos apiterápicos”, explica o pesquisador Júlio Brito. Veja a seguir os projetos atuais:

Estudos do mel de aroeira:

- Tratamento da candidíase: já apresentou atividade in vitro para cândida e será testado em candidíase vulvovaginal em modelo animal.
- Tratamento de feridas de pele por Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA): usado no tratamento de feridas de pele. Além de se apresentar como emoliente e antioxidante, apresentou atividade antimicrobiana;
- Tratamento de baixo custo para o Zika vírus.

Extrato do mel de aroeira:

- Tratamento de infecção urinária causada por Proteus mirabilis: essa bactéria Gram-negativa é uma das principais responsáveis pelas infecções no trato urinário e de relevância clínica.

Melitina (peptídeo isolado do veneno de abelha):

- Tratamento de baixo custo para candidíase vulvovaginal multirresistente;
- Tratamento de baixo custo para infecção de pele por MRSA (projeto conta com um artigo publicado pelo grupo de pesquisa com resultados promissores).

Para o pesquisador, o maior desafio são as pesquisas com aplicação na área clínica que envolvem custos altos e, para se obter êxito, é necessário ter recursos, materiais, capacitações e área física para o desenvolvimento desses trabalhos. "Nesse sentido, para superar esses desafios, buscamos colaborações internas na Funed, com universidades e outros institutos de pesquisa”, aponta.

Mel de aroeira

Outras pesquisas realizadas pela Funed revelaram a importância das abelhas como polinizadoras de espécies de árvores nativas do nosso país como a aroeira – árvore comum nas regiões norte e noroeste de Minas Gerais. José de Calazans, que iniciou sua caminhada na apicultura há mais de 40 anos, fala um pouco sobre o tema.

“A apicultura é muito mais abrangente do que criar abelhas, colher mel e vender. Há uma intensa interação e interconectividade com o meio ambiente, especialmente com cada bioma no qual o apicultor escolhe instalar suas colmeias”, afirma.

Em 1981, Calazans fez sua primeira colheita do mel de aroeira em São Geraldo, bairro de Montes Claros, e percebeu que o mel encontrado tinha algumas características que eram diferentes de outros que conhecia, como não se cristalizar no período frio.

“A partir daí, houve a iniciativa de trocar informações e, em 2010, o contato com a cientista da Funed, Esther Bastos, com o envio de amostras e o convite para conhecer a região e o produto”, lembra o apicultor. Após várias visitas e pesquisas, descobriu-se que de fato esse mel tem propriedades medicinais, com destaque para a ação antimicrobiana. A pesquisa identificou que o chamado honeydew brasileiro, ou Mel de Aroeira, produzido no entorno do ecossistema da Mata Seca, está relacionado a esse bioma, que é caracterizado por plantas que perdem as folhas nas estações mais secas e chuvas concentradas em maior quantidade nos meses finais do ano. O fato de a polinização não ser feita em flores, mas a partir do néctar da aroeira e do melato – líquido doce resultante do processamento da seiva da planta por insetos (pulgões e cochonilhas) – também é um diferencial do mel de aroeira.

Em meados de 2015, o apicultor, em nova parceria com a Funed, contribuiu com o estudo conduzido pela bióloga Paula Calaça, orientada pelo professor Clemens Schlindwein, que resultou na tese de doutorado apresentada em 2019 com o título Polinização da Aroeira (Myracrodruon urundeuva, Anacardiaceae) uma árvore dióica maciça da Mata Seca: potencial melífero e origem botânica do mel.

“Estamos com um projeto pronto chamado Rota do Mel de Aroeira, que busca apresentar não só a atividade da apicultura, a partir do dia a dia do apicultor local, como também as riquezas ambientais e animais da Mata Seca. São diversas flores, plantas, animais, cachoeiras e trilhas que merecem ser conhecidas por muitos, tanto dentro como fora do país”, ressalta.

Fonte: SES-MG

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