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Sebastião Salgado, nosso maior fotógrafo

Uma lenda viva da fotografia, da imagem documental, através do preto e branco puríssimo durante mais de quatro décadas fotografou as maiores atrocidades do ser humano e as mais esplêndidas paragens do planeta

19/06/2021 02h13 Atualizada há 1 mês
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Por: Redação 4
Sebastião Salgado é um gênio em todas as formas, uma lenda viva/Foto: Sara Rangel
Sebastião Salgado é um gênio em todas as formas, uma lenda viva/Foto: Sara Rangel

 

Guilherme Abraão

Mineiro, da pequena cidade de Aimorés, em Minas Gerais, na divisa com Espirito Santos, cortada pelo rio Doce. Veio ao mundo em 8 de fevereiro de 1944.  Salgado graduou-se em economia concluindo mestrado e doutorado na mesma área, fez mestrado de Economia no Brasil, na USP, em 1967, e doutorado, na França, na Escola Nacional de Estatísticas Econômicas, em 1971.

Em 1964, casou-se com Lélia Wanick Salgado, sua companheira desde que se conheceram na Aliança Francesa de Vitória (ES), ele aos 20 anos, e ela 17. É também sua cara-metade profissional desde que, ao completar 30 anos, ele trocou uma promissora carreira de economista em organizações internacionais pela fotografia. Eles tem dois filhos: Juliano SalgadoRodrigo Ribeiro Salgado.

Lélia, é autora, produtora gráfica e cinematográfica, e ambientalista. Ela é formada em arquitetura pela Ecole National Supérieure de Beaux Arts e Urbanismo na Universidade Paris VIII. Presidi o Instituto Terra, e ainda coordena a Amazonas Image, criada em 1994 com o marido, é a agência fotográfica que cuida exclusivamente do trabalho de Sebastião.

Em 1969, engajados nos movimentos de resistência à Ditadura Militar no Brasil, Salgado e Lélia foram obrigados a buscar asilo político em Paris. Em 1971, ele concluiu seu doutorado e passou a trabalhar como secretário para a Organização Internacional do Café (OIC) enquanto Lélia estudava arquitetura. Foi durante as viagens de trabalho para a África que realizou sua primeira sessão de fotos com uma pequena câmera Leica que pertencia à Lélia. Em 1973, retornam a Paris e Salgado passa a se dedicar totalmente à fotografia.

Ao fotografar os cafezais africanos, ele se descobre, diante daquela dura e até então pouco noticiada tragédia do continente africano, ao redor das pelas e vastas plantações, a fome, a miséria e os conflitos estavam presentes também. E através das imagens, ele conseguia apresentar melhor o que via e sentia, as imagens eram fiéis, e melhores do que textos e estudos estatísticos para retratar a situação econômica dos lugares pelos quais passava.

Ao retornar a Paris, começou a trabalhar como freelancer em fotojornalismo. Trabalhou para grandes agências como Sygma, Gamma e Magnum. Contribuiu com diversas organizações humanitárias como UNICEF, Organização Mundial da Saúde, Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional. Com Lélia, publicou diversos livros, boa parte da seleção das fotos feito por ela, com seu olhar sensível e apurado, fizeram os livros: Trabalhadores (1996), Terra (1997), Serra Pelada(1999), Outras Américas (1999), Retrato de Crianças do Êxodo (2000), Êxodos(2000), O Fim do Pólio (2003), Um incerto Estado de Graça (2004), O Berço da Desigualdade(2005), África (2007),  Gênesis (2013), Perfume de Sonho (2015).

Salgado ganho inúmero prêmios, destaco duas horarias recebeu, em 2016, Sebastião Salgado foi nomeado cavaleiro da Légion d’Honneur, honraria concedida pelo governo francês a personalidades de destaque, desde os tempos de Napoleão. No ano seguinte, o fotógrafo tornou-se o primeiro brasileiro a integrar a Academia de Belas Artes da França, instituição que tem origem no século XVII e uma das cinco academias que compõem o Institut de France, templo da excelência francesa nas artes e nas ciências.

Em 2013, Salgado publica o livro “Da minha terra à Terra,” obra que materializa seu talento como narrador. A autenticidade de um homem que sabe como poucos combinar militância, profissionalismo, talento, sensibilidade e generosidade ganham as páginas desta autobiografia. Ainda, recomendo que assistam o documentário Sal da Terra, de 2014, que mostra a trajetória dele, desde seus primeiros trabalhos em Serra Pelada, o registro da miséria na África e no Nordeste do Brasil até sua obra-prima, "Gênesis", e sua grande obra com Lélia para recuperar as matas da fazenda que nasceu.

No começo da pandemia, em 2020, Salgado lançou uma campanha, que reuniu celebridades mundiais pela proteção de comunidades indígenas na Amazônia contra o coronavírus, o manifesto foi publicado em centenas de jornais, ganhado destaque e chamando a atenção do mundo para situação de abandono e risco de extermínio dos povos, em retaliação, a Fundação Nacional do Índio (Funai) retirou das paredes 15 quadros doados pelo fotógrafo e ameaçou leiloar as obras por ele doadas.

Agora, em 2021, pela editora Taschen publica Amazônia em formato de livro. E até o final de outubro fica em cartaz uma exposição homônima na Cidade da Música, em Paris. Ambos, livro e exposição, foram concebidos e editados por Lélia. Sebastião, entre 2013 e 2019, fez viagens à selva para realizar este projeto, adoeceu várias vezes, e seu corpo já dá sinais que não dá conta destas missões.

Amazônia é a saga das comunidades indígenas, retratadas ao rés do chão, em suas vidas cotidianas, e ao mesmo tempo da selva como raramente se viu, fotografada de aviões, helicópteros e esteve com povos isolados. Doe saber e falar, mas este é último grande projeto do homem que revolucionou a fotografia documental com suas imagens em preto e branco que refletiam a dureza do trabalho, a miséria do mundo, a natureza em seu estado primitivo.

No lançamento da exposição Amazônia, em Pais, no final de maio, Salgado deixou uma mensagem: “Todos temos que lutar” e “ajudar os movimentos de resistência brasileiros” a frear o desmatamento. E reforçou o que mundo já sabe, que o governo do presidente Jair Bolsonaro tenta “se apropriar dos territórios indígenas e dos parques nacionais” para desenvolver novas extensões agrícolas, derrubando gigantescas áreas da floresta e possibilitando a invasão de garimpeiros, que levam destruição, doenças, violência e morte nas terras indígenas.

Sebastião Salgado, é um gênio em todas as formas, uma lenda viva, um ser humano que transcende sua existência, que deve ser conhecido, estudado (principalmente em nossas escolas), admirado, reverenciado e devemos ter orgulho de saber que ele é um mineiro, um brasileiro, respeitado no mundo todo.

Suas lutas e sua história nos dão energia para seguir acreditando no amanhã melhor. Sua obra, mostra claramente onde a humanidade errou, e nos resta pouco tempo para mudar nossos hábitos e possibilitar que outras gerações conheçam este ser humano iluminado e sua genialidade materializada pelo seu olhar através das lentes.

 

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Sobre Ao Ponto
GUILHERME ABRAÃO, formado em Direito pela PUC Campinas/SP, aluno de Ciências Sociais pela UNIFAL. Foi consultor da UNESCO, Conselheiro Estadual de Cultura, Superintendente de Cultura da Prefeitura Alfenas/MG, foi Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados, Assessor Jurídico da Prefeitura de Pouso Alegre/MG, e Diretor Municipal de Cultura em Estiva/MG. Vice-presidente do Circuito Turístico Lago de Furnas. Faça contato através do e-mail: [email protected]
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