Segunda, 26 de Julho de 2021 16:29
(35) 988158840
Geral FOME VOLTOU

Quem tem fome tem pressa

Fome voltou em todas as regiões do Brasil e já atingiu 9% da população, mostra relatório. A pandemia prejudicou o país, mas os retrocessos começaram bem antes, vemos aumentar as redes de solidariedades para tentar amenizar a situação dramática

17/07/2021 00h14 Atualizada há 1 semana
268
Por: Redação 4
O Brasil encerrou o ano de 2020 com 113 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, o que representa mais da metade da nossa população/Foto: Reprodução Internet
O Brasil encerrou o ano de 2020 com 113 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, o que representa mais da metade da nossa população/Foto: Reprodução Internet

Guilherme Abraão

Passados 75 anos do lançamento do livro “A Geografia da Fome”, do médico e geógrafo pernambucano Josué de Castro, o tema da fome no Brasil voltou e tem ganhado os noticiários.  O livro faz um diagnóstico das causas e consequências da fome no Brasil, daquele período dos anos 1940. Sua obra influenciou diversos estudos sobre o tema, políticas de combate à miséria e o tornou conhecido internacionalmente e, infelizmente, mesmo após sete décadas, torna-se novamente atual. Enquanto sociedade e terceiro país com maior produção de alimentos no mundo, o Brasil errou, não superamos a fome.

No dia 12 de julho, em audiência pública no Congresso Nacional, a ONG Ação da Cidadania, fundada em 1993 pelo sociólogo Herbert de Souza, sendo hoje a maior rede de solidariedade do Brasil, lançou a quinta edição do “Relatório Luz da Sociedade Civil sobre Agenda 2030“. O documento feito pela ONG, juntamente com outras 57 organizações, aponta que pelo menos 100 milhões de brasileiros se encontram em situação de insegurança alimentar. Os dados apresentados esclarecem que, devido à má gestão governamental, grande parte da população brasileira não sabe o que irá ou mesmo se irá comer no dia seguinte.

De acordo com o relatório da ONG de Betinho, o Brasil encerrou o ano de 2020 com 113 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, o que representa mais da metade da nossa população. Além disso, aponta o documento, que 27 milhões de pessoas passaram a viver em situação de extrema pobreza, com menos de R$246 ao mês, diante de uma inflação que oficialmente cresceu 4,52% (IPCA) no mesmo período que a alta de preços dos alimentos foi de 14,09% em relação a 2019.

Uma pesquisa feita pelo Grupo Unis, evidenciou que neste mês de junho o valor médio da cesta básica nacional de alimentos para o sustento de uma pessoa adulta na cidade de Varginha é de R$485,64, o que corresponde a 47,73% do salário mínimo líquido. Sendo assim, um trabalhador que recebe o salário mínimo mensal precisa trabalhar 97 horas e 08 minutos no mês para adquirir essa cesta. Na outra ponta, o valor da quarta parcela do auxílio emergencial 2021 permanece o mesmo: uma cota de R$ 150 para famílias de uma só pessoa, R$ 250 para famílias de duas ou mais pessoas e R$ 375 para mães chefes de família monoparental. Estes valores são insuficientes para comprar uma cesta básica. 

Oficialmente o Brasil, deixou o chamado Mapa da Fome em 2014 com o amplo alcance do programa Bolsa Família. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, baseado em dados de 2001 a 2017 mostrou que, no decorrer de 15 anos, o programa reduziu a pobreza em 15% e a extrema pobreza em 25%. Agora, em 2021, o documento encabeçado pela Ação da Cidadania aponta o retorno do Brasil ao Mapa da Fome.  

Em Alfenas, existem 8.310 famílias no Cadastro Único, sendo mais de 20.777 pessoas cadastradas, ou seja, mais de 1/3 da população é atendida ou beneficiada por algum programa social. Outro dado importante: do total de famílias, 7.061, ou seja, 35%, vivem mensalmente com renda per capita mensal entre R$178,01 e 1/2 salário mínimo.

No Programa Bolsa Família, são 2.944 famílias beneficiárias. Pelas regras do programa, os valores são destinados às famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza. Em 2020, a soma dos valores destinado pelo Bolsa Família em Alfenas, foram de 7.580.777,416 reais, estes recursos ajudam a economia local e contribuem para o combate à pobreza e à desigualdade no Município.  

Para um Município do porte de Alfenas, com grandes Universidades, comércio forte, grandes fazendas produzindo os melhores cafés do mundo, sétima cidade mais rica do sul de Minas, com boas rodovias este número de famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza deveria ganhar mais atenção, ser uma das grandes prioridades locais, a meta número um, qual seja, a erradicação da pobreza e miséria em uma cidade tão rica para alguns poucos, por meio de uma séria, sólida e perene política pública.  

A falta de ações levanta questionamentos justos e necessários, afinal, manter as famílias nestas condições pode ser lucrativo, sobretudo, no campo político, com medidas apenas assistencialistas ou populistas que não retiram as pessoas de fato desta triste realidade, apenas as mantem no ciclo de dependência mensal de cestas básicas, dentre outras pequenas benesses.

Em tempo, assim como vemos aumentar os pedidos de ajudas, seja nas redes sociais, nos semáforos, nas calçadas, nas portas dos supermercados e até mesmo de porta a porta, o clamor por alimentos tem aumentado demasiadamente, sobretudo na pandemia. Vemos uma forte e organizada rede de pessoas voluntárias que tem organizado campanhas de arrecadação e distribuição de alimentos.

Em Machado, em 2017 foi criado um comitê local da ONG Ação da Cidadania. Em 2020 se tornou um comitê regional, recebendo ajudas do comitê nacional para auxílio às cidades vizinhas. E de março de 2020 até o momento já foram distribuídas mais de 16 mil cestas básicas em Machado e cidades da região. 

Em Alfenas, existem várias ações, uma delas é o grupo “Solidariedade sim, fome não”, iniciativa contínua que deste o começo da pandemia está recolhendo e distribuindo alimentos. É comum ver em estabelecimentos, sejam em supermercados, academias ou em postos do programa saúde da família, caixas deles para coleta de alimentos. Eles já organizaram e distribuíram quase 200 cestas básicas, que são entregues após uma visita para conhecer a realidade das famílias.

Se quiser e puder ajude os voluntários do “Solidariedade sim, fome não”, use o pix para doações financeiras: (35) 9 9929 5629

 

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião deste portal de notícias.

 

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ao Ponto
Sobre Ao Ponto
GUILHERME ABRAÃO, formado em Direito pela PUC Campinas/SP, aluno de Ciências Sociais pela UNIFAL. Foi consultor da UNESCO, Conselheiro Estadual de Cultura, Superintendente de Cultura da Prefeitura Alfenas/MG, foi Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados, Assessor Jurídico da Prefeitura de Pouso Alegre/MG, e Diretor Municipal de Cultura em Estiva/MG. Vice-presidente do Circuito Turístico Lago de Furnas. Faça contato através do e-mail: [email protected]
Sobre o município
Alfenas - MG
Atualizado às 16h12 - Fonte: Climatempo
27°
Tempo aberto

Mín. Máx. 27°

26° Sensação
11.7 km/h Vento
23.7% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (27/07)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. Máx. 28°

Sol com algumas nuvens
Quarta (28/07)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 10° Máx. 26°

Sol com muitas nuvens e chuva
Anúncio
Anúncio