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Geral RISCO DE APAGÃO

VAI FALTAR LUZ NO FINAL DO TÚNEL

Conta de luz cada vez mais cara, termoelétricas ligadas, seca histórica, falta de transparência da gravidade da crise. Desligar ferros de passar roupas, apagar as lâmpadas e banhos curtos não resolverão está forte crise

04/09/2021 11h58
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Por: Redação 4
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou no dia 31 de agosto a criação de uma nova bandeira tarifária, a Bandeira de Escassez Hídrica/Foto: Comfreak-pixabay
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou no dia 31 de agosto a criação de uma nova bandeira tarifária, a Bandeira de Escassez Hídrica/Foto: Comfreak-pixabay

 

Guilherme Abraão

Um fantasma do passado recente voltou a rondar o Brasil de 2021. O risco de apagão elétrico. O termo, porém, pode ser desconhecido da população mais jovem, que não tem lembranças ou nem chegou a viver o período de racionamento elétrico em 2001. Mas, o cenário atual é bem pior, e soma-se a falta de transparência por parte do Governo Federal de falar a real dimensão da gravíssima crise hídrica e elétrica que vivemos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou no dia 31 de agosto a criação de uma nova bandeira tarifária, a Bandeira de Escassez Hídrica. Nesta mesma semana vimos o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, pedir em pronunciamento o apoio da população para reduzir o gasto elétrico em meio à crise, ele propôs a redução do uso de chuveiros e ferros de passar, e também que os grandes consumidores reduzam, de forma voluntária, o uso elétrico em horas de ponta do sistema.

Voltemos algumas décadas: o Brasil resolveu adotar o horário de verão após perceber que a teoria de Benjamim Franklin tinha fundamento. Após um longo período a proposta de Benjamim começou a ser utilizada em muitos países europeus e, entre os anos de 1931 e 1932 o Brasil decidiu adotar o horário de verão no país através de Getúlio Vargas. E uma séria de países ainda seguem tendo este horário diferenciado, justamente para economizar energia.

Em 2019, o Presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto que acabou com o horário de verão. Segundo ele, o fim do horário diferenciado, por favorecer o relógio biológico, iria aumentar produtividade do trabalhador. Agora seu governo pede economia, registre-se que setores econômicos vêm pedido a volta do horário de verão, não apenas para poupar energia, mas como elemento de impulsionar a economia, como no setor hoteleiro e gastronômico, até agora o governo oficialmente não respondeu as tentativas. 

A insegurança hídrica é um problema de escala global, mas o Brasil é especialmente atingido. Nos últimos 30 anos, quase 16% da cobertura de água do país desapareceu, o Pantanal está 60% mais seco e rios antes navegáveis agora se cruzam a pé, e animais estão morrendo de fome. O resultado mais latente: energia e alimentos ficarão cada vez mais caros.

Nosso país tem 65% de sua energia proveniente das hidrelétricas. Com estes índices somos altamente dependentes das chuvas, cada vez mais irregulares em tempos de mudanças climáticas, e da escalada de destruição ambiental tolerada e até mesmo estimulada pelo atual governo que tenta passar a boiada de todas as formas.

Falta planejamento e muita transparência com as informações, e este dois pontos são fundamentais. A crise é gigantesca, o estresse hídrico será duradouro, os modelos climatológicos estipulam vários anos ou décadas de uma gravíssima crise hídrica, já vivemos a pior em 91 anos de medições, nossa demanda irá brevemente superar a oferta, não voltaremos ao normal climatológico, que era de períodos com poucas chuvas que eram compensados com precipitações volumosas que faziam reposições.  

Precisamos proteger e ampliar nossas florestas, berços naturais de nascentes produtoras de águas, e dos rios voadores, que lançam volumes gigantescos de água na atmosfera. O governo falha e compromete o futuro, ao não ser transparente em reconhecer a gravidade da crise e propor medidas firmes, sobretudo com os grandes consumidores, esta estratégia de atribuir a responsabilidade aos pequenos consumidores além de injusta é pouco eficiente, desligar ferros, apagar luzes não surtira grandes efeitos.

O grande desafio para os próximos governantes será justamente diversificar a matriz energética nacional, diminuir a dependência das hidrelétricas, e também mudar nossa condição em relação aos combustíveis fósseis altamente poluentes e finitos. Somos um pais abençoados pelo sol e pelos fortes ventos, e neles temos condições de ampliar e modificar fortemente nossa produção de energia. Esta duas fontes são energias limpas e com menor impactos ambientais se comparados com os causados pelas grandes áreas alagadas dos reservatórios ou os riscos de acidentes nucleares.

Brasil recebe uma insolação superior a 3 mil horas por ano, sendo que na região Nordeste há uma incidência ainda maior que as demais regiões. Somos a nação com a maior taxa de irradiação solar do mundo, estamos desperdiçando esta riqueza infinita.

Em 2019, o mercado de energia solar no Brasil cresceu mais de 212%, alcançando a marca de 2,4 GW instalados. Segundo a Aneel, foram instalados mais de 110 mil sistemas fotovoltaicos, correspondendo a R$ 4,8 bilhões e 15 mil profissionais trabalhando na área.

Os dois estados com maior potência instalada para geração de energia solar são Minas Gerais e São Paulo, justamente os dois estados com maior população, maior consumo de energia e que enfrentam forte escassez de água. 

Como vimos faltará luz elétrica no final do túnel, mas temos uma imensidão de possibilidades com a energia solar!

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião deste portal de notícias.

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Sobre Ao Ponto
GUILHERME ABRAÃO, formado em Direito pela PUC Campinas/SP, aluno de Ciências Sociais pela UNIFAL. Foi consultor da UNESCO, Conselheiro Estadual de Cultura, Superintendente de Cultura da Prefeitura Alfenas/MG, foi Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados, Assessor Jurídico da Prefeitura de Pouso Alegre/MG, e Diretor Municipal de Cultura em Estiva/MG. Vice-presidente do Circuito Turístico Lago de Furnas. Faça contato através do e-mail: [email protected]
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