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Economia REAJUSTE COMBUSTÍVEL

PREÇO DA GASOLINA JÁ ULTRAPASSA SEIS REAIS NOS POSTOS DE COMBUSTÍVEIS EM ALFENAS

Reajustes constantes nos preços dos combustíveis refletem em outros setores da economia encarecendo produtos e serviços

14/09/2021 21h49 Atualizada há 6 dias
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Por: Redação 4
Reajustes quase que diário no preço dos combustíveis já começam a afetar outros setores da economia/Foto: Gilson Leite
Reajustes quase que diário no preço dos combustíveis já começam a afetar outros setores da economia/Foto: Gilson Leite

Américo Passos

Proprietários de veículos começam a sentir no bolso os constantes reajustes do preço dos combustíveis que, a exemplo da gasolina, já ultrapassa o valor de 6 reais por litro do combustível nos postos de Alfenas.

Estes constantes aumentos refletem nos produtos e serviços de que a população necessita, como é o caso dos alimentos, do transporte, dentre outros, causando forte diminuição na renda, o que impacta diretamente no consumo.

O economista Fernando Batista Pereira, professor de Ciências Econômicas do Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas (ICSA) da UNIFAL-MG, explica que, embora o país seja um grande produtor de petróleo e derivados, praticamente autossuficiente há mais de 10 anos, o governo brasileiro vem optando por seguir a cotação internacional dos preços do barril de petróleo, desde 2016, no chamado mercado de commodities, para fixar os preços nacionais. Do que decorre que o preço em dólar é convertido para a moeda nacional de acordo com a taxa de câmbio corrente. Em 2020, essas duas variáveis, taxa de câmbio e preço internacional do barril do petróleo, apresentaram trajetórias opostas.

De um lado, houve forte desvalorização do real em relação ao dólar. Lembrando que, em 02 de janeiro de 2020, a relação era aproximadamente US$ 1,00 = R$ 4,00, taxa que chegou a alcançar R$ 5,76 no final de outubro, uma desvalorização de 44%, ressaltou o economista.

Por outro lado, como enfatizou o Prof. Fernando Pereira, dada a crise inicial da pandemia por Covid-19, o preço do barril de petróleo, que iniciou 2020 custando US$ 58, chegou a ser negociado abaixo de US$ 23 em março de 2020 e, em outubro do mesmo ano, estava cotado em US$ 37, portanto, 36% abaixo dos US$ 58 de janeiro. Como resultado, houve certa compensação e os preços dos combustíveis para o consumidor final não sofreram tanta alteração em 2020.

“Porém, em 2021, o preço do barril de petróleo só aumentou, atingindo US$ 73 em setembro de 2021, alta de praticamente 100% desde outubro de 2020. Assim, o conjunto câmbio e preço internacional do barril de petróleo passou a apresentar a mesma trajetória de alta, elevando muito o preço dos combustíveis comercializados em território nacional”, destacou o economista.

Em relação à cobrança de impostos e taxas incluídos no valor do combustível comercializado, Prof. Fernando Pereira esclarece que, além do ICMS cobrado pelos Estados, incidem também a CIDE, o PIS/PASEP e COFINS, impostos do governo federal sobre o preço dos combustíveis, em maior proporção na gasolina do que no diesel. Dentre esses, de fato, a maior taxa é a do ICMS. Entretanto, como descrito, o grande determinante na alta de preços dos combustíveis é o reajuste de preços feito pela Petrobrás, que vem acompanhando os preços internacionais do barril de petróleo em dólar.

O economista relata que o problema é que o aumento de um determinado preço pode implicar aumento de custos de outros bens e serviços e, desse modo, provoca novas elevações de preços, não se limitando ao aumento original. Esse é o caso particular dos combustíveis derivados de petróleo. Isso porque o sistema de transportes brasileiro é fortemente dependente desses combustíveis, encarecendo os custos de todo o sistema de produção e distribuição e, por consequência, de outros produtos finais.

“Em resumo, os combustíveis não são apenas produtos finais de consumo, mas insumos utilizados em praticamente todas as cadeias produtivas e distributivas do país. Portanto, seu aumento tende a se disseminar por outros produtos”, enfatizou o Prof. Fernando Pereira.

O Brasil é praticamente autossuficiente na produção de petróleo e, portanto, seus preços não dependem dos preços internacionais, afirma o Prof. Fernando Pereira/Foto: Dicom – UNIFAL/MG

O economista destaca que é preciso vontade política para adotar uma nova política de preços de combustíveis, o que, de certa forma, pode gerar resultados negativos sobre o preço de mercado das ações e sobre o valor de mercado da Petrobrás, ao menos no curto e médio prazo.

Como pudemos acompanhar, o atual governo federal fez a mudança do presidente da Petrobrás em fevereiro de 2021, sinalizando uma nova política de preços, mas teve uma reação negativa do mercado financeiro. Como resultado dessa reação, parece ter havido um recuo e a política atual de preços foi mantida pela empresa, analisa o Prof. Fernando Pereira.

Em relação aos impactos desses aumentos de preços dos combustíveis na economia, sobretudo gerando a volta da inflação, o economista explica que o país ainda está longe de apresentar as taxas de hiperinflação verificadas no final de 1980 e início dos anos 1990.

O Prof. Fernando Pereira ressalta que o problema é que a atual conjuntura é de inflação combinada com estagnação econômica, cenário denominado por economistas como ‘estagflação’. Como resultado, temos desemprego e subemprego em alta, renda familiar em baixa e alta nos preços, o que é muito prejudicial para a população.

O governo e o Branco Central vêm sinalizando que a política anti-inflacionária se dará via aumento das taxas de juros da Selic, o que tende a ter efeitos limitados, dada a possível continuidade dos aumentos dos preços da produção agrícola e também da energia elétrica, devido à falta de chuvas e à crise hídrica, destaca o economista.

“Por fim, juros altos dificultam ainda mais a lenta recuperação econômica”, enfatiza o Prof. Fernando Pereira.

 

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