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Geral 100 ANOS

MUITOS ANOS PARA PAULO FREIRE

Paulo Freire, educador e filósofo, patrono da educação nacional, um dos mais importantes intelectuais brasileiros, com enorme reconhecimento internacional, completa 100 anos, entre ataques e admiração, seu legado segue vivo

18/09/2021 08h41 Atualizada há 1 mês
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Por: Redação 4
Foto: Painel UNIFEI Artistas Diego Dais Souza e Letícia Floriano
Foto: Painel UNIFEI Artistas Diego Dais Souza e Letícia Floriano

Guilherme Abraão

Nascido em 19 de setembro de 1921, no Recife, Paulo Reglus Neves Freire foi um educador brasileiro, criador do método inovador no ensino da alfabetização para adultos. Seu método foi levado para diversos países. Em 1943, Paulo Freire ingressou na Faculdade de Direito do Recife.

Depois de formado, continuou atuando como professor de português no Colégio Oswaldo Cruz e de Filosofia da Educação na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco. Em 1947 foi nomeado diretor do setor de Educação e Cultura do Serviço Social da Indústria. Em 1955, junto com outros educadores fundou, no Recife, o Instituto Capibaribe, uma escola inovadora que atraiu muitos intelectuais da época.

Paulo Freire ganhou visibilidade nacional em janeiro de 1963, quando ele e sua equipe do serviço de extensão cultural da então chamada Universidade de Recife desenvolveram um programa de alfabetização com 300 adultos na cidade de Angicos, Rio Grande do Norte. A experiência foi propagandeada nacionalmente por interesses políticos, e ganhou reconhecimento porque jovens e adultos se alfabetizavam rapidamente, em 40 horas, e saíam dos seus estudos com maior consciência dos seus problemas.

Em abril de 1964, o golpe civil-militar depôs o presidente da República, cancelou o Programa Nacional de Alfabetização e prendeu por 70 dias Paulo Freire em Recife, sentindo-se ameaçado, acabou por se exilar na embaixada da Bolívia.

Durante o exílio, Paulo Freire passou pela Bolívia e trabalhou no Chile por cinco anos para a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação. Em 1968, concluí a escrita e lança seu mais famoso livro, “Pedagogia do Oprimido”, que foi publicado em várias línguas e é um dos livros mais citados em trabalhos acadêmicos.

Em 1969 mudam-se para os Estados Unidos, trabalhou como professor visitante da Universidade Harvard. Em 1970, mudam-se novamente, desta vez para Genebra, na Suíça, onde trabalharia por 10 anos no Conselho Mundial de Igrejas, sendo que os últimos cinco foram dedicados em grande parte ao trabalho de educação com ex-colônias portuguesas na África.

Voltou ao Brasil em 1980, depois de mais de 150 viagens internacionais, reconhecido em todos os continentes por suas ideias e práticas. Passou a trabalhar em duas universidades paulistas: PUC-SP e Unicamp. Foi secretário de Educação no município de São Paulo, convidado pela prefeita Luiza Erundina, em 1989. Faleceu em 1996, aos 74 anos.

Por seu trabalho na área educacional, Paulo Freire é reconhecido mundialmente, é o brasileiro que mais recebeu títulos honoris causa pelo mundo. Ao todo, foi homenageado em pelo menos 41 universidades brasileiras e estrangeiras entre elas, Harvard, Cambridge e Oxford. Além disso, mais de 350 escolas ao redor do mundo levam seu nome. Autor de 10 livros. Em 2012, uma lei federal nomeia Paulo Freire como Patrono da Educação Brasileira

Em 2018, o ainda presidenciável Jair Bolsonaro falava, em seu plano de governo, de doutrinação, sexualização precoce e, em entrevistas, sobre marxismo, como proposta pretendia “expurgar” Paulo Freire das escolas. Os ataques ganharam coro e os ataques a memória e a obra se multiplicaram, sobretudo vindo daqueles que nunca leram sua obra. E agora, em 2021, em decisão liminar, a Justiça Federal do Rio de Janeiro proibiu o governo federal de "praticar qualquer ato institucional atentatório a dignidade do professor Paulo Freire”.  

E nesta semana, um áudio circulou pelas redes, onde uma mulher no alto de sua arrogância e preconceito, ataca Paulo Freire e mostra estar orquestrando um plano para a retirada do patrono nacional da educação do painel com referências a intelectuais e personagens históricos da Universidade Federal de Itajubá/MG.

A referida obra, iniciada em 2017, um belo painel de 120m x 3,10 de altura, somando 372 metros quadrados de pura arte, de autoria dos artistas plásticos Diego Dais Souza e Letícia Floriano.

Diante de tantos desafios para nossa educação vale citar alguns; o piso salarial dos professores brasileiros nos anos finais do ensino fundamental é o mais baixo entre 40 países avaliados em um estudo da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE). Outro, se contabilizado apenas o orçamento do Ministério da Educação, o gasto em educação básica em 2020 foi o menor da década. E na semana do centenário de Paulo Freire, ouvimos o disparate do presidente que afirmou que "o excesso de professores atrapalha". Sim, vivemos tempos duros, por estas e outras precisamos de mais Paulo Freire, por muitos séculos!

Aos artistas Diego Dais Souza e Letícia Floriano, sigam levando sua arte e transformando as paredes, muros, cidades, tornando elas mais coloridas e alegres, provocando o bom debate e ajudando a abrir as mentes, como tem feito Paulo Freire neste 100 anos!

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião deste portal de notícias.

 

 

 

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Sobre Ao Ponto
GUILHERME ABRAÃO, formado em Direito pela PUC Campinas/SP, aluno de Ciências Sociais pela UNIFAL. Foi consultor da UNESCO, Conselheiro Estadual de Cultura, Superintendente de Cultura da Prefeitura Alfenas/MG, foi Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados, Assessor Jurídico da Prefeitura de Pouso Alegre/MG, e Diretor Municipal de Cultura em Estiva/MG. Vice-presidente do Circuito Turístico Lago de Furnas. Faça contato através do e-mail: [email protected]
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