Quarta, 20 de Outubro de 2021 14:39
(35) 988158840
Geral FALTA DE ÁGUA

A LENTA MORTE DO LAGO DE FURNAS

O Mar de Minas agoniza lentamente, perde suas águas, sua beleza, suas riquezas e caminha para morte, vamos permitir?

25/09/2021 08h52 Atualizada há 4 semanas
401
Por: Redação 4
Foto: Paula Barbosa
Foto: Paula Barbosa

 

Guilherme Abraão

Juscelino Kubitschek, após governar Minas Gerais, exercia a Presidência da República, e do planalto central de onde era construída e ganhava forma a nova capital, recebia notícias das obras da Represa Hidrelétrica de Furnas, que teve início em 1958, na época tornou-se a maior obra da América Latina.

Do represamento das águas de vários rios que cortavam as férteis várzeas nasceu o "Mar de Minas". O lago de Furnas é a maior extensão de água no estado e um dos maiores lagos artificiais do mundo, cobre uma superfície de 1.406,26 Km² e 3.500 km de perímetro, recriando e modificando paisagens em 34 municípios fazendo da região (suas águas removeram cidades também).

Mas, agora no começo da primavera de 2021, o lago agoniza, esvaziado, com risco real de atingir os menores volumes de água de sua história. E se ele morrer por completo? Dói pensar ou escreve sobre esta tragédia anunciada, mas é um ato de coragem, é necessário reconhecer que ele é quase um paciente terminal.

Vivemos a pior seca em 91 anos, que reduziu a níveis críticos os reservatórios das hidrelétricas do Centro-Oeste e do Sul, fontes de 70% da energia hidráulica do país. Algumas previsões são otimistas, arriscam indicar que a crise vai durar até abril de 2022. Como chegará o Lago de Furnas até lá?

Contudo, o próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico, prevê que em novembro, quando começa o período chuvoso, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste vão chegar a menos de 10% da capacidade.

Depois de 20 anos da crise do apagão, estamos à beira de termos que racionar energia novamente, o governo nega esta necessidade, mas segue defendendo ações isoladas: como banhos rápidos e até frios e segue a negar a gravidade da crise com olhos e mãos nas próximas eleições, mas o cenário catastrófico. A crise era previsível, os estudos apontavam para esta forte escassez hídrica, e outras fontes de geração de energia deveriam ter sido acionadas para ajudar a poupar, agora é tarde...

Reservatórios naturais ou artificiais naturalmente tem grandes índices de vaporização, ainda mais estas ondas de calor e insolação. Vemos a mudança de culturas agrícolas. Se antes na região predominava o café, hoje, vemos imensas plantações de soja, cultura que consome grande quantidade de água. Acrescente ainda ao consumo a necessidade de abastecer as cidades, sem chuvas e com a produção de energia mantida, afinal, o Lago de Furnas funciona como uma grande caixa de água que regula e literalmente irriga outras hidrelétricas rio abaixo.

Devemos ser esperançosos, acreditar em chuvas abundantes, mas isso dificilmente acontecerá, a começar pela devastação da Amazônia que ajuda a regular os regimes hidrológicos com seus rios voadores, com recortes de desmatamentos comprometem totalmente este fenômeno.

Diante da emergência climática que vivemos, precisamos para ontem, de grandes projetos de proteção de nascentes, de proteção de fragmentos de matas, da recomposição das matas ciliares, de pagamento para agricultores e proprietários rurais de serviços ambientais, ações urgentes diante da gravidade do cenário, o Lago de Furnas está agonizando.

Apenas com um grande pacto que envolva todos os poderes, a sociedade, as universidades, sobretudo a própria Furnas Centrais Elétricas S/A (que tem uma dívida histórica gigantesca com nossa região), organismos internacionais, soma-se a necessidade da mudança da matriz energética nacional, que é totalmente dependente das chuvas para girar os geradores. Sem estas ações, infelizmente seremos testemunhas da morte do Lago de Furnas.

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião deste portal de notícias.

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ao Ponto
Sobre Ao Ponto
GUILHERME ABRAÃO, formado em Direito pela PUC Campinas/SP, aluno de Ciências Sociais pela UNIFAL. Foi consultor da UNESCO, Conselheiro Estadual de Cultura, Superintendente de Cultura da Prefeitura Alfenas/MG, foi Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados, Assessor Jurídico da Prefeitura de Pouso Alegre/MG, e Diretor Municipal de Cultura em Estiva/MG. Vice-presidente do Circuito Turístico Lago de Furnas. Faça contato através do e-mail: [email protected]
Sobre o município
Alfenas - MG
Atualizado às 14h26 - Fonte: Climatempo
21°
Pancada de chuva

Mín. 13° Máx. 21°

21° Sensação
20.2 km/h Vento
78.2% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (21/10)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 12° Máx. 23°

Sol com algumas nuvens
Sexta (22/10)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 12° Máx. 25°

Sol com algumas nuvens