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O MANEJO POPULACIONAL ÉTICO DE CÃES E GATOS EXIGE DEDICAÇÃO E RESPONSABILIDADE (PARTE I – RECOLHIMENTO DE ANIMAIS)

O serviço de recolhimento de cães soltos nas ruas atende solicitações diárias de usuários que não assumem a responsabilidade pelo destino dos seus animais e endossa uma sociedade que delega ao poder público essa responsabilidade favorecendo o abandono nas ruas ou em instituições, como as entidades de proteção animal ou serviços da prefeitura. A noção equivocada da saúde pública, em que o recolhimento de cães era a base para o controle populacional e prevenção de zoonoses contribuiu para esta cultura de guarda irresponsável.

03/10/2021 09h08
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Por: Redação 4
Foto: Internet
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Renata Santinelli

A Organização Mundial da Saúde afirma que atividades isoladas de recolhimento e eliminação de cães e gatos não são efetivas para o controle da população. Deve-se atuar na causa do problema: a procriação animal sem controle e a falta de responsabilidade do ser humano quanto à sua posse, propriedade ou guarda (WHO, 1990).

Quando o Poder Público destina sua energia e seus recursos para o recolhimento sumário de animais, ele está agindo na consequência do problema e não na causa em si. Essas medidas além de dispender uma enorme quantidade de recursos financeiros, também se mostram ineficazes do ponto de vista do controle dessas populações, geram sofrimento desnecessário aos animais e acabam por aumentar a população de cães e gatos nas vias públicas, pois impõe a falsa ideia de que, no ato do abandono, o animal será recolhido e cuidado.

O serviço de recolhimento de cães soltos nas ruas atende solicitações diárias de usuários que não assumem a responsabilidade pelo destino dos seus animais e endossa uma sociedade que delega ao poder público essa responsabilidade favorecendo o abandono nas ruas ou em instituições, como as entidades de proteção animal ou serviços da prefeitura. A noção equivocada da saúde pública, em que o recolhimento de cães era a base para o controle populacional e prevenção de zoonoses contribuiu para esta cultura de guarda irresponsável. Deve-se recolher apenas os cães e gatos considerados nocivos à saúde e à segurança de seres humanos e de outros animais, usando para tal o princípio dos 4R´s:

Recolhimento seletivo: os critérios de recolhimento devem ser sólidos e descritos e de amplo conhecimento da população. É muito comum nas cidades ao mínimo clamor utilizar do recolhimento em massa sobretudo de cães. Incentivar a prática do recolhimento indiscriminado é incentivar a morte precoce destes animais sem dá-los ao menos uma oportunidade de conviverem na sociedade. O recolhimento não pode se configurar como uma medida eterna. Cães que se encaixam em perfis de cães comunitários e carecem de recolhimento por alguma questão de saúde ou mesmo para castração podem e devem retornar à sua comunidade de origem aonde ele possui laços de afetividade e cuidados. Parte-se sempre do princípio de que cães e gatos tem os mesmos direitos de conviver na sociedade, assim como humanos.

Recuperação: observação clínica por tempo razoável, cuidados médicos veterinários, sendo atestado pelo profissional que o animal recolhido é saudável e não apresenta nocividade à saúde pública e deverá ser providenciado sua castração, desverminação, vacinação e registro deste animal.

Reabilitação: ressocialização do animal. Criação de programas de reabilitação devem ser primordiais em locais de abrigamento. Os animais não devem ficar completamente trancados em baias insalubres e estéreis. É importante o enriquecimento ambiental, a promoção de passeios regulares, o contato com outros seres humanos e outros cães. Importante frisar aqui áreas de soltura e lazer e essas ações sempre coordenadas por um profissional capacitado que possa inclusive orientar grupos de voluntários. O sucesso na reintrodução de um animal depende muito deste profissional. Pessoas com histórico de violência e sem nenhum conhecimento mínimo sobre comportamento de cães e gatos jamais devem atuar nesses momentos.

Reintrodução: por meio da adoção ou soltando o animal no local de origem, porém com o animal castrado e fazendo o monitoramento dele, estabelecendo o programa do cão Comunitário ou colônia controlada de gatos, levando em consideração o status do município para as zoonoses.

É de extrema importância que se conheça a dinâmica populacional da área em que se pretende interferir, com a realização de censos ou estimativas populacionais. A participação de Ongs, Associações e da Proteção Animal independente neste processo pode fazer grande diferença, pois é muito comum, sobretudo em municípios de pequeno e médio porte, que esses atores tenham conhecimento prévio dos pontos de abandono e dos bairros e localidades com maior concentração da animais. Assim, o direcionamento gradual das políticas públicas podem e devem se concentrar nessas áreas de forma mais intensa e ir irradiando para outras localidades com menor densidade populacional.

Outra estratégia importante para subsidiar o planejamento das políticas de saúde pública é a implantação de um programa de registro e identificação de animais que formam um sistema de informação com dados que relacionam os proprietários aos seus animais. O registro e a identificação são instrumentos de responsabilização do proprietário, fomentam a cultura de propriedade, posse ou guarda responsável e possibilitam conhecer e dimensionar as populações de cães e gatos. Além disso, o registro e a identificação de animais são de responsabilidade das administrações municipais (Portaria GM, nº. 1.172/2004, Ministério da Saúde).

É recomendável que se associe um método de identificação visual (coleira e plaqueta) a um permanente (microchip ou tatuagem).

Os órgãos públicos também devem desenvolver ações com vistas ao controle do comércio de animais, associados aos programas educativos, de forma a coibir a aquisição de animais por impulso.

É importante sempre reforçar que o recolhimento pelo recolhimento pura e simplesmente é uma das piores estratégias de manejo populacional que um município pode implantar. Como já dito deve-se observar o grau de bem estar desses animais e a superlotação é um dos fatores que proporciona o baixo grau desses e que na prática é um indicativo de maus tratos. Manter animal abrigado não é simplesmente lavar com água, oferecer uma ração de péssima qualidade e condená-los e uma vida de omissão e descaso. Necessário se faz buscar o aprimoramento constante dos órgãos públicos para quebrar esse ciclo de recolhimento indiscriminado e a sua compreensão de que é muito mais importante focar os recursos financeiros e humanos na EDUCAÇÃO da população para a guarda responsável e na CASTRAÇÃO dos animais tutelados ou não.

Na próxima semana vamos nos encontrar novamente com um tema pra lá de especial. Eu espero você!

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Sobre Fala Proteção Animal!
Renata Santinelli, Presidente da ONG Anjos de Patas de Alfenas, vai trazer toda semana o tema da causa animal que será divulgada e discutida por quem atua na área e pode trazer mais informações ao leitores sobre o que é, e como agem os protetores de animais e porque a causa animal é tão importante em nossa sociedade na preservação e cuidados dos animais e garantia de seus direitos. Assistente de Campanhas para Animais de Fazenda do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal.
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