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NELSON FREIRE, UM GIGANTE POR TODA VIDA

De Boa Esperança para o mundo, pianista gravou seu primeiro disco aos 12 anos de idade, um gênio da música. Para muitos o maior pianista do mundo

06/11/2021 09h08 Atualizada há 4 semanas
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Por: Redação 4
Foto: Internet
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Guilherme Abraão

Nelson Freire, partiu no último dia 1º de novembro, aos 77 anos (bem vividos musicalmente) em sua casa, no Rio de Janeiro. Sepultado em sua cidade natal, a vizinha Boa Esperança, foi aplaudido pelos moradores que pararam seus afazeres em sinal de respeito e admiração ao passar do caminhão dos bombeiros que transportavam seu corpo, era o último adeus ou até breve, daquele gênio que levou e elevou o nome da cidade para os quatro cantos do mundo, assim como fez seu conterrâneo o escritor Rubem Alves.

Freire iniciou sua trajetória artística aos 3 anos de idade. A genialidade e precocidade aflorou cedo, ao observar sua irmã mais velha, tocou de memória peças executadas por ela, eram sinais claros de seu talento inigualável.

A família notando o diamante bruto, se mudou para o Rio de Janeiro, ele com apenas 5 anos, deram ao menino prodígio uma boa educação musical. Aos 12 anos, foi finalista do 1º Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro (1957). Diante do feito, Freire recebeu do governo do Presidente Juscelino Kubitschek uma bolsa de estudos para Viena, Áustria.

O jovem pianista iniciava seu voo monumental pelo mundo. Aos 19 anos, logo após uma apresentação em Nova York, foi classificado pela revista Time como “um dos maiores pianistas desta ou de qualquer outra geração”. Ainda aos 19 anos, ele ganhou o primeiro lugar no Concurso Internacional Vianna da Motta, em Lisboa, Portugal. Com 24 anos, fez sua estreia na Orquestra Filarmônica de Nova York (EUA). Voltou ao Brasil em 1962.

Apesar da fama global, a vaidade não picou o pianista de mãos pequenas. Nelson Freire era muito discreto, falava muito pouco aos meios de comunicação, era considerado tímido, de jeito simples, muito modesto e reservado, típico mineiro.

Em 2003, através das lentes do habilidoso cineasta João Moreira Salles, um trabalho de dois anos, de mais de 70 horas de gravações brutas. Nele, parte de sua vida e da sua obra de Freire foram imortalizados em um documentário. O filme mostra a rotina e as turnês mundiais, passando por São Paulo, França, Bélgica, Rússia etc. Ainda apresenta sua infância, os primeiros acordes e os sacrifícios feitos pela família para educar o menino que já era melhor que muitos dos seus professores.

Em 2013, o álbum “Brasileiro” rendeu o Grammy Latino, nele o pianista executa obras de compositores como Alexandre Levy, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez, Henrique Oswald, Cláudio Santoro, entre outros.

O pianista fazia visitas frequentes aos parentes e amigos da cidade natal, marcava presença em festas familiares nas fazendas e, vez ou outra, também se apresentava no Radium Clube Dorense. E quando tinha agenda se apresentava com renda totalmente revertida às instituições de caridade e projetos sociais da cidade, sendo sempre um acontecimento local.

Apesar de tantas turnês, por dezenas de países, apresentações em grandes salas com grandes e respeitadas orquestras, foi apenas em 2015, que sua pequena e amada Boa Esperança viu e ouviu a potência de seus dedos acompanhados da Filarmônica de Minas Gerais.

Naquela noite histórica na Praça do Fórum, um gigantesco concerto ao ar livre com a presença dele como solista emocionou as milhares de pessoas presentes.  E ele disse há época “acho que é a primeira vez que uma orquestra toca lá e eu queria que fosse assim, em praça pública”.

No programa daquela noite, o Hino Nacional Brasileiro, de Francisco Manuel da Silva, abriu o espetáculo, que contou também com a abertura de O navio fantasma, de Wagner; Valsa das flores, de Tchaikovsky; e a protofonia de O Guarani, de Carlos Gomes.

Mas, o ápice foi a surpresa preparada pela Filarmônica, que tocou Serra da Boa Esperança, de Lamartine Babo, como um presente para Nelson e sua terra natal. Composta em 1937, essa joia de Lamartine, ganhou naquele concerto sua primeira versão orquestral.

O mundo se despede e agradece Nelson Freire, sua obra segue eternizada, mas que ela ganhe as escolas, as ruas, os corações e que um dia os grandes concertos saiam das capitais e voltem para o interior, essa será sem dúvida uma maneira à altura de render as justas e necessárias homenagens à Nelson Freire! 

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião deste portal de notícias.

 

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Sobre Ao Ponto
GUILHERME ABRAÃO, formado em Direito pela PUC Campinas/SP, aluno de Ciências Sociais pela UNIFAL. Foi consultor da UNESCO, Conselheiro Estadual de Cultura, Superintendente de Cultura da Prefeitura Alfenas/MG, foi Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados, Assessor Jurídico da Prefeitura de Pouso Alegre/MG, e Diretor Municipal de Cultura em Estiva/MG. Vice-presidente do Circuito Turístico Lago de Furnas. Faça contato através do e-mail: [email protected]
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