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COMO É REALMENTE A PROTEÇÃO ANIMAL? PARTE II

Outra ideia errônea quando se trata de custos é achar que protetores e ONGs recebem dinheiro público. Não se enganem. As gestões públicas não destinam dinheiro para ONGs de proteção animal

07/11/2021 09h27
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Por: Redação 4
Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

 

Renata Santinelli

Há alguns dias comecei a refletir sobre o que a sociedade espera de um protetor de animais. Bem nos moldes daqueles memes de expectativa X realidade.

Quem é tutor sabe quanto custa minimamente manter um animal. Pela lógica da maioria das demandas de pedidos de adoção, as pessoas preferem ter animais de porte pequeno justamente pelo espaço e pelo financeiro.

Acabam que os animais de porte médio e grande são os que “sobram” nas preferências de adoção e eles acabam por ficar eternamente tutelados em nossos abrigos e lares temporários.

Se fosse um animalzinho de porte grande, até vá lá, mas a realidade é que são dezenas e até centenas de animais abrigados neste perfil. Somente por aí tem-se uma noção do tamanho dos custos de se manter animais abrigados. Lembro-me quando recebi uma mensagem bem deselegante de uma senhora que “achava” que eu pedia ração demais. Que o pinscher dela não comia tanto assim. Para quem tutela animais com peso médio de 40 kg foi como uma facada no coração.

Outra ideia errônea quando se trata de custos é achar que protetores e ONGs recebem dinheiro público. Não se enganem. As gestões públicas não destinam dinheiro para ONGs de proteção animal. Raramente um ou outro município destina alguma subvenção mas esta é sempre muito abaixo da necessidade financeira. E com este pequeno recurso vem quase que a obrigatoriedade de que aquele protetor ou ONG é responsável por resolver todos os problemas envolvendo animais. Do abandonado ao tutelado. Do esquecido na mudança ao maltratado. Além disso, essas subvenções, quando e se é que elas existem, duram pouco tempo e são as primeiras a serem cortadas. Não existe em lugar algum, nada que obrigue um gestor a destinar recurso para os animais.

“Ahhh, mas tem verba pra zoonose!” Vamos ser realistas, certo? Os recursos da zoonose, em sua esmagadora maioria vão pra combate à dengue e outras doenças. Não vão pra cachorro e gato.

Ainda na esfera dos recursos, esses dias circulou um áudio em aplicativo de mensagens de uma pessoa falando que ONGs e protetores recebem dinheiro por recolhimento de animal. Essa foi até hilária. Rimos muito.

Ultimamente alguns deputados começaram a destinar parte de suas emendas parlamentares para ações de castração. A proteção animal ficou eufórica. Marcam-se reuniões com prefeitos. Eles falam o famigerado “conte comigo”. Se compromete com o deputado e quando o dinheiro chega na conta da prefeitura sabe o que acontece? A grande maioria deles simplesmente ignora o compromisso feito e utiliza o recurso para outras demandas. Reforçando: não existe lei, carimbo ou nada que faça o prefeito utilizar esses recursos com castração.

Quando isso acontece começam as cobranças da sociedade em cima dos protetores que correram atrás do recurso. Fica um clima ruim, muito ruim. E mais uma vez padecem os animais que precisam de ajuda.

Mas então como ONGs e protetores conseguem manter os animais?

Muitas vezes com recursos próprios que são limitados e doações de amigos e pessoas que gostam de animais, mas as doações geralmente não são fixas e diminuem sazonalmente. Os meses de novembro a março geralmente são os piores, pois, além dos impostos desta época, temos as festas de Natal e Ano Novo e férias da criançada. É a época que os abandonos também aumentam em demasia.

Outras medidas são a execução de bazares, pedágios, bingos, rifas, jantares, pizzadas, pasteladas. Só que estas medidas demandam tempo, gasto e voluntariado que muitas vezes não existem ou são muito poucos.

Com a pandemia de COVID-19 e a crise as doações que já eram poucas caíram 90%. Além das restrições de aglomeração e realização de eventos a proteção animal ficou impossibilitada de realizar tais ações o que complicou ainda mais a situação dos animais já tutelados e dos auxílios para novos casos.

Quando você pede socorro para uma situação que você mesmo pode resolver, lembre-se deste texto e compreenda que muito mais precisamos de ajuda e não de mais demanda. Que muitos protetores vão à falência para manter os tutelados ou vivem de forma bastante restritiva financeiramente. A causa animal não é feita de milionários e celebridades. Ela é feita por pessoas comuns, com vidas comuns, que pagam boletos, que trabalham para se manter só que decidem em algum momento, dedicar um pouco da sua vida a salvar outras.

Sem maquiagens, sem romantismos. A causa animal é uma luta diária pela sobrevivência dos humanos e dos não humanos.

Na próxima semana vamos nos encontrar novamente com um tema pra lá de especial. Eu espero você!

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