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Geral ENERGIA LIMPA

O ENGODO DO CARRO ELÉTRICO

O argumento de que os veículos e seus congêneres todos movidos a energia elétrica não mais poluirão o meio ambiente tornando-o limpo e saudável cai por terra e falece. Se eles não poluem diretamente, indiretamente o farão ao precisarem da energia produzida por matrizes poluentes em uma quantidade cada dia maior. Não tem escapatória, o admirável mundo novo com toda a energia produzida por meios limpos demorará muito a chegar, se chegar

12/11/2021 11h10 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação 4
Foto: Internet
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Victor Corrêa

Vou mudar um pouco dos temas relacionados direta ou indiretamente ao Direito voltando-me um às minhas origens na engenharia, tanto acadêmicas como de família e que se enraízam na minha querida hoje UNIFEI e que no meu tempo se chamava EFEI e no de meu pai IEI – Instituto Eletrotécnico de Itajubá – e se tornou uma glória da engenharia nacional formadora de uma mão de obra altamente capacitada e especializada e nos dias de hoje na pesquisa.

O tema que me proponho a colocar em discussão e que tem mexido com meus já gastos e enrijecidos neurônios é sobre a questão da crise energética mundial e que tem atingido também nosso país. Aqui, evidencia-se que o problema é de descaso dos governos dos últimos vinte anos que relegou o investimento em produção e distribuição de energia a décimo plano ou apenas o pouco que se fez foi, como tantos outros, voltado à irrigação do escancarado propinoduto que tomou conta da administração pública superior nas duas últimas décadas e que está mais do que provado e hoje busca a todo custo voltar a dominar o poder público para implantar novamente esse modelo de cleptocracia.

Veja-se que um dos motivos que estamos pagando um preço exorbitante na energia elétrica, e que reflete tanto diretamente em nosso dia a dia como indiretamente na inflação pelo aumento dos custos de produção de bens e serviços, é que a então presidanta Dilma Roussef numa atitude completamente populista resolveu em um de seus rompantes abaixar artificialmente em cerca de 20% o preço da energia elétrica como se fosse um grande feito, mas que visava apenas dividendos eleitorais e enganosos, e que hoje voltou em nossa testa e economia como um bumerangue causando todo esse descontrole atual e alta de preços para pagar essa cortesia com nosso próprio chapéu.

De qualquer forma, a questão energética é um problema que efetivamente preocupa, especialmente países que dependem quase que exclusivamente de combustíveis fósseis, como da Europa, e que estão em caminho de esgotamento em curtíssimo prazo como o caso do carvão mineral, já esgotado o carvão vegetal e em médio prazo o esgotamento do petróleo. O mundo hoje está em uma busca frenética por meios alternativos de produção de energia como a eólica e solar.

Outro motivo alegado que leva à pesquisa de meios alternativos de produção de energia elétrica é a poluição causada pela matriz energética fóssil e o grande vilão se tornou o automóvel que virou o inimigo número um do meio ambiente limpo e saudável e é até compreensível pelos motivos óbvios e a moda agora e que está se tornando a coqueluche do mundo são os carros elétricos e que pelo que se apresenta em curto e médio prazo toda a frota mundial será elétrica; o que nos leva a congratular pela efetiva proteção ao meio ambiente e principalmente à nossa saúde.

Mas aí surge minha perplexidade: os automóveis vão consumir energia elétrica e não mais química? Para quem não sabe, a energia mecânica produzida em um veículo por um motor a explosão é química, posto que essa explosão é resultado de uma reação química. O carro elétrico continua sendo mecânico, só que é a transformação da energia elétrica em mecânica. Por mero exercício mental, poderíamos dizer que os veículos atuais são químicos, isto é, “carros químicos”, já que chamam os novos de carros elétricos.

Pois bem, a energia elétrica a ser consumida por um veículo elétrico terá de vir de alguma fonte de produção e distribuição dessa energia e é a mesma que atualmente abastece o mundo e que conforme acima discutido está em falta e é poluente como, por exemplo, as termoelétricas. Então, coço minha cabeça: se a atual capacidade instalada de produção de energia elétrica já está praticamente esgotada e é altamente poluente e se buscam soluções, como vai acontecer quando tivermos a frota de veículos movidos por energia elétrica?

Fico imaginando, e mais especificamente no Brasil na atual realidade, se estamos com problemas de abastecimento, a energia está mais cara com a necessidade de entrada das termoelétricas no sistema (não esquecendo a bomba relógio que a Dilma e seu bando nos legou), com campanhas para que economizemos, racionalizando o uso consciente da energia elétrica, como seria se toda a frota de veículos que circula no país fosse elétrica? Nem precisamos ir a tanto: se fosse 50%, ou mesmo 20%? O que aconteceria? Acredito que a energia elétrica chegaria a preços tais que em termos monetários, e valores de moeda, no caso nosso o real, o quilômetro rodado ficaria muito mais caro do que comparado com o atual preço da gasolina e do diesel.

Isso que estou falando será ficção científica ou puro exercício de cálculos simples? O que me admira é que não vejo ninguém, repito: ninguém, no mundo todo falando e discutindo essa realidade que se avizinha. Só vejo todos falando, todas as notícias informando, que estamos adentrando em um admirável mundo novo todo movido a energia elétrica, de bicicletas, carrinhos de rolimã, patins, a aviões, helicópteros, tratores, etc. E pergunto: de onde virá tanta energia a sustentar tudo isso? Minha vã filosofia não consegue resolver esse evidente paradoxo.

O fato é que o desenvolvimento de meios de transporte movidos a energia elétrica está “a pleno vapor”, de uma forma acelerada como nunca se viu antes com o sujeito mais rico do mundo sendo aquele que começou essa febre e é o maior produtor de carros elétricos do mundo com uma fortuna que beira a casa do infinito. Ao contrário, o desenvolvimento de novos meios de produção de energia anda a passos bem mais lentos e curtos, causando um descompasso entre um e outro, deixando claro que o mundo da mobilidade se tornará elétrico muito antes de existir uma capacidade instalada de produção e distribuição para abastecê-lo. O descompasso é muito grande e não é preciso ser um grande engenheiro ou notável economista para perceber isso. E volto à pergunta: será que ninguém percebeu ou o silêncio é oportuno e têm outras razões, com certeza escusas?

E aqui se impõe a abordagem do outro aspecto, a questão ambiental. Senão, vejamos. Indiscutível que a matriz energética instalada no mundo é preponderantemente baseada na transformação de combustíveis fósseis em energia e que não se vê sua substituição a curto prazo por outro modelo e que também é indiscutível que é o maior causador da poluição ambiental do planeta, por mais que os “gênios” mundiais e da COP 26 queiram reputar a causa disso aos “puns” do rebanho bovino do Brasil, se não me engano o maior do mundo. Assim sendo, por toda a tecnologia já existente há muito tempo e bastante desenvolvida que permite grande agilidade de implantação para atender a demanda crescente e que irá acelerar exponencialmente com toda a mobilidade baseada na energia elétrica, o óbvio e ululante é que serão instaladas em caráter acelerado muitas e muitas mais usinas termoelétricas à base de combustível fóssil, no caso de petróleo tendo em vista a escassez do carvão mineral e altamente poluidoras.

Portanto, o argumento de que os veículos e seus congêneres todos movidos a energia elétrica não mais poluirão o meio ambiente tornando-o limpo e saudável cai por terra e falece. Se eles não poluem diretamente, indiretamente o farão ao precisarem da energia produzida por matrizes poluentes em uma quantidade cada dia maior. Não tem escapatória, o admirável mundo novo com toda a energia produzida por meios limpos demorará muito a chegar, se chegar.

Os grandes interesses envolvidos nesse engodo da mobilidade elétrica, o novo sonho do carro elétrico, com certeza que estão por trás disso os grandes produtores de combustíveis fósseis como as famílias Busch e Rockefeller nos EUA, para citar apenas alguns, e que comandam a política econômica norteamericana, e que nunca abrirão mão de seu poder. Cada vez se vê a construção de mais usinas termoelétricas movidas por combustível fóssil; uma opção seria a termonuclear, mas esses mesmos grupos fomentam ideias assustadoras contra elas e foram desaceleradas suas construções; particularmente acredito que seria uma grande solução, em um futuro não muito distante e efetivamente essa será a saída, sendo essa a razão de que os países que dominam o mundo não deixam os demais desenvolverem-se nesse setor, sob a falsa desculpa de que farão bombas nucleares, pois quem tiver o domínio da matriz energética nuclear terá seu desenvolvimento garantido. O perigo que alegam de uma guerra atômica é hoje tão remoto quanto descobrir-se o segredo da vida eterna, nem mesmo os filmes de ficção usam mais esse argumento em seus roteiros.

Para encerrar, não tem como não voltar à nossa realidade tupiniquim de nossa terra de Pindorama. Há muito é sabido que o Brasil é um país vocacionado à produção da energia hidroelétrica e que demanda tempo e vultosos investimentos, mas que isso era fundamental que fosse feito. Entretanto, os governos dos últimos vinte anos desconheceram isso e os anteriores ao atual, dos últimos 16 anos, optaram por financiar incontáveis usinas termoelétricas com jorros de nosso dinheiro via BNDS, enquanto financiavam a fundo perdido usinas hidroelétricas em países africanos e outros et caterva.

Era mais que claro, cristalino, e não se precisava de bola de cristal para isso, que seria necessário ampliar a produção de energia elétrica, que o desenvolvimento do Brasil dependeria disso, mas ao se optar pelas termoelétricas também era claro que um dia iria se encarecer o seu preço e o país ficaria refém delas. E o que os que então dominavam o governo e o poder fizeram? Financiaram os “campeões de audiência” do desenvolvimento brasileiro também nesse setor crucial e entregaram para os Eike Batista da vida que possui, só ele, mais de uma dúzia delas, com juros baixíssimos, basicamente inexistentes, prazos a perder de vista, etc... etc... Hoje, um sujeito desses, processado, condenado e, pasmem, quebrado, sem fazer nada ganha mais com essas usinas termoelétricas do que qualquer mortal como nós possa imaginar de ver nem que seja escrito em um papel. Mas, será que ele ganha sozinho ou tem algum sócio oculto? Por isso, a opção desses governos corruptos dessa nossa Terra de Santa Cruz: termoelétrica se constrói muito mais rapidamente e dentro da administração de um mesmo governo corrupto e uma hidroelétrica não, pois que sua construção passa pela sequência de vários governos.

Enfim, nós que fazemos parte dessa massa, que passa dos projetos do futuro, e que hoje pagamos a energia elétrica no preço que está e sonhamos com um admirável carro novo elétrico, mal sabemos que tudo não passou e é fruto de um projeto de corrupção, enriquecimento ilícito e submissão da plebe rude sempre enganada; mas não só aqui como no mundo todo, mas especialmente aqui. Assim como foi comprar um carro mil financiado em 120 meses; voar na Gol por preço de passagem de ônibus interestadual; comer cem gramas de carne por dia; ter o melhor canal de televisão do mundo; usar roupas de grife legitimamente falsificadas por chineses e muito mais...

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião deste portal de notícias.

 

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DIREITO E REALIDADE / Breves divagações sobre o Direito e a realidade que nos cerca
Sobre DIREITO E REALIDADE / Breves divagações sobre o Direito e a realidade que nos cerca
VICTOR CORRÊA DE OLIVEIRA, Promotor de Justiça em Minas Gerais por quase 30 anos, aposentado; professor de Direito da UNIFENAS por quase 25 anos, ministrou as cadeiras de Introdução do Estudo do Direito, Direito Civil e Direito Penal; Juiz de Direito concursado em Minas Gerais em 1.992. Formado em Direito na PUC/SP, cursou Engenharia Mecânica na UNIFEI e jornalismo na PUC/SP. Manteve uma coluna sobre Direito no Jornal dos Lagos e outros jornais da região por vários anos.
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