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Geral COP 26

E DEPOIS DA COP26?

Em Glasgow, na Escócia, representantes dos 197 países participaram da conferência mais importante sobre clima e meio ambiente da atualidade. Seguiremos na mesma rota de destruição planetária ou evitaremos nossa autodestruição, quais os avanços e retrocessos?

13/11/2021 02h25
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Por: Redação 4
COP 26 Marcha pelo clima em Glasgow, Criminosos do clima/Foto: Marcos Colon
COP 26 Marcha pelo clima em Glasgow, Criminosos do clima/Foto: Marcos Colon

Guilherme Abraão

Em 1992, as Nações Unidas organizaram um enorme evento no Rio de Janeiro, a Cúpula da Terra, quando foi adotada a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.  Neste tratado, as nações concordaram em “estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera” para prevenir uma interferência perigosa da atividade humana no sistema climático.

Atualmente, o acordo tem 197 nações signatárias. Desde 1994, quando o tratado entrou em vigência, as Nações Unidas reúnem anualmente quase todos os países do planeta para as cúpulas globais do clima, ou as “COPs”, que significa “Conferência das Partes”. Os olhos do mundo estiveram em Glasgow nestas duas semanas da COP26, como dito, ela já é a maior e mais importante conferência e poderia definir o futuro da humanidade.

A principal autoridade brasileira na conferência foi o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite. O Presidente Bolsonaro mesmo estando na Europa não compareceu ao evento. Os jovens e seus protestos ganharam destaque, nossas lideranças indígenas, em especial as mulheres de várias etnias (sendo a maior delegação indígena já vista) se destacou, várias delas viram seus rostos estampados pela cidade, foram anunciados/as e festejados/as, situação bem distinta das que vivenciam em suas aldeias no Brasil. 

Infelizmente, nosso país chegou desacreditado, perdemos o protagonismo, o respeito e a admiração mundial das outras nações. O Brasil foi um dos únicos cinco países do mundo a piorar suas marcas de emissões desde março de 2020. Pesam contra nós, os recordes do desmatamento ilegal e a grilagem, incentivados pelo presidente, além do desmonte de estruturas de combate a incêndio e desmatamento. Enquanto o mundo diminuiu 6,7% suas emissões, o Brasil elevou em 9,5% em 2020, e atingiu a pior marca desde 2006. Estes números explicam a falta de coragem do Presidente Bolsonaro de ir à COP 26. 

Para piorar, segundo o INPE, tivemos em outubro de 2021 o maior alerta de desmatamento na Amazônia, com 877 km², uma alta de 5% em relação a 2020 e recorde da série histórica. Na COP26, o Brasil ignorou os recordes de devastação e prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2028. Como acreditar neste compromisso?

Segundo cientistas, o aquecimento global já chegou em um ponto praticamente sem retorno, e medidas radicais são necessárias para mitigar os estragos, sobretudo dos eventos extremos, como fortes geadas, ondas de calor, crises hídricas, tempestades extremas, queimadas etc.

Na primeira semana de negociações da cúpula do clima, o Brasil aderiu a um acordo sobre proteção florestal que prevê o fim do desmatamento até 2030. Além disso, assinou um compromisso para reduzir em 30% as emissões de metano, uma meta audaciosa que atinge a pecuária brasileira, já que boa parte desse gás do efeito estufa é emitida pela fermentação gástrica dos bois. Causando surpresa, afinal são metas ambiciosas. 

De forma geral, o primeiro rascunho (o rascunho é uma espécie de lista de desejos elaborada pela presidência da COP) do documento final da COP26 já trazia avanços pontuais, mas não apresentava detalhes sobre como atingir as metas necessárias para que o aumento da temperatura do planeta seja menor do que 2ºC até 2100 (de preferência não ultrapassando 1,5ºC, como foi definido no Acordo de Paris), esta é era a principal meta do encontro. Afinal, da era pré-industrial até o momento, a temperatura da Terra já subiu 1,1ºC. O aumento da temperatura é uma sentença de morte para muitos países.

Uma das surpresas veio dos EUA e da China que fizeram uma promessa animadora de trabalharem juntos para enfrentar a crise climática. E de forma negativa as grandes montadoras de veículos, como Toyota, Volkswagen, BMW e Nissan não assinaram a declaração para "trabalhar para que todas as vendas de veículos novos tenham emissão zero em todo o mundo até 2040”.  

No último dia de negociações na COP26, ainda não havia consenso sobre as propostas de pôr fim ao uso de carvão e aos subsídios públicos para a exploração de combustíveis fósseis, assim como a questão sobre o financiamento das medidas necessárias para combater e mitigar os efeitos do aquecimento global. Aparentemente as lideranças optaram por recuar de uma reivindicação mais enfática para acabar com o uso de carvão e eliminar completamente os subsídios aos combustíveis fósseis.

Outro obstáculo relevante é a questão da ajuda financeira aos países mais pobres para que estes possam cumprir as metas estabelecidas. Nações ricas não cumpriram a promessa estabelecida há 12 anos de fornecer 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para ajudar países em desenvolvimento a cortar emissões e se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. Nações ricas como os Estados Unidos, que historicamente são a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa, opõem-se a qualquer obrigação legal de pagar por perdas e danos sofridos por países pobres.

Foram muitos estudos apresentados na COP26, um deles, do Banco Mundial publicou um alerta preocupante sobre os efeitos das mudanças climáticas na vida dos seres humanos, segundo o estudo nos próximos anos mais de 216 milhões de pessoas em seis regiões do mundo, incluindo a América Latina, poderão ser forçadas a se mudarem de seus países até 2050 para fugirem de eventos climáticos adversos, neste cenário ainda teremos novas pandemias, ondas de fome que causaram a morte de milhares de pessoas.

A próxima Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP-27, será em novembro de 2022, no Egito, teremos pouco tempo até ela. É triste e duro ter que reconhecer, mas nossos governantes e o grande capital por mais afetados que podem ser não estão dispostos a mudar realmente, assumir e colocar em prática ações efetivas para diminuir a destruição ambiental em escala global, a humanidade não tem mais tempo extra para desperdiçar, caminhamos e construímos nossa própria extinção!

O mundo saiu da COP26 da forma que muitos não desejavam, deixando muito mais dúvidas do que certezas e caminhos concretos para diminuir o aquecimento global e construir e efetivar uma justiça climática, a natureza irá nos cobrar fortemente pela falta de coragem em mudar nossos rumos!

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião deste portal de notícias.

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