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GILBERTO GIL ABRE CAMINHOS NA ABL

Cantor, compositor e escritor baiano também foi Ministro da Cultura do Brasil e agora torna-se imortal da Academia Brasileira de Letras, sendo o terceiro negro a ocupar uma cadeira nesta seleta elite literária

20/11/2021 09h34 Atualizada há 2 semanas
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Por: Redação 4
Foto: Internet
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Guilherme Abraão

O premiadíssimo e talentoso músico baiano Gilberto Gil, de 79 anos, foi eleito por maioria absoluta para ocupar a cadeira de número 20 da Academia Brasileira de Letras (ABL), no dia 11 de novembro. Eleito com 21 votos, o artista é o terceiro homem negro a ocupar uma cadeira na ABL, antes dele, apenas o gigante Machado de Assis e o escritor e professor Domício Proença Filho, ambos foram presidentes da Academia. Será que Gil pensa também em ocupar este posto para abrir mais espaços para negros na Academia? 

A Academia Brasileira de Letras (ABL) é uma instituição cultural inaugurada em 20 de julho de 1897 e sediada no Rio de Janeiro, cujo objetivo é o cultivo da língua e da literatura nacional. Compõe-se a ABL de 40 membros efetivos e perpétuos, e 20 sócios correspondentes estrangeiros. Em 124 anos de existência da ABL, apenas nove mulheres (todas brancas) e nenhum indígena conseguiu entrar para a Academia, apesar de termos excelentes escritores/as aptos a compor a ABL sendo mulheres e indígenas.

De acordo com o estatuto da ABL, "só podem ser membros efetivos da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livros de valor literário". Em valores anteriores à pandemia de covid-19, um imortal da Academia podia receber até R$ 12 mil, incluindo uma ajuda de custo mensal e plano de saúde.

Gil é autor de 28 livros, em mais de 50 anos de carreira já lançou quase 60 discos, vendeu em torno de 4 milhões de cópias e foi premiado com nove Grammys. Em 1960, Gilberto Gil ingressou na Universidade Federal da Bahia para cursar administração de empresas. No ano seguinte, ganhou um violão de presente de sua mãe.

Foi um dos criadores do Movimento Tropicalista na década de 60. Esta riquíssima manifestação cultural legítima foi considerada subversiva pela ditadura militar e Gilberto Gil foi preso, junto com Caetano Veloso. Em 1969 Gil se exilou na Inglaterra. Nesse mesmo ano foi lançado o disco “Gilberto Gil” (1969), onde se destacou a música “Aquele Abraço”. Aquele Abraço foi a última música que Gil gravou no Brasil, um dia antes de partir para a Europa, a música foi o seu maior sucesso popular e tornou-se um samba de despedida.

Em 1999, foi nomeado Artista da Paz pela UNESCO, tornou-se também Embaixador da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, além de condecorações e prêmios diversos, como Légion d’ Honneur da França, Sweden’s Polar Music Prize. Gil ainda foi o Ministro de Estado da Cultura mais longínquo que o Brasil já teve, deixando grandes marcas e feitos culturais em sua gestão.   

Muitos/as autores/as célebres tentaram, mas não conseguiram conquistar uma cadeira da ABL, como Monteiro Lobato, Lima Barreto, Mário Quintana e mais recentemente Conceição Evaristo e o indígena Daniel Munduruku, dois grandes autores da atualidade. Os ex-presidentes da República José Sarney e Fernando Henrique ocupam cadeiras na ABL.

O mês de novembro trouxe novos ares e membros para ABL, começando pela atriz Fernanda Montenegro, de 92 anos, que foi eleita sem concorrentes, e agora Gilberto Gil. Estas duas escolhas aparentemente sinalizam uma mudança de rumo na ABL e uma abertura para outros ramos da cultura além da literatura. O ingresso de Gil e Montenegro nos últimos dias deve diminuir um pouco a falta de diversidade da Academia.

Que a força da representatividade de Gil abra espaço na Academia Brasileira de Letras, que mais autores/as negros/as sejam mais valorizados, publicados e lidos. E que não demore para termos um/a autor/a indígena entres os imortais. Infelizmente a composição da ABL é um reflexo puro do elitismo literário que ainda impera no país.  

Por fim, estamos no mês da igualdade racial, vale uma singela sugestão de leitura de autores/as negro/as: Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Sueli Carneiro, Lazaro Ramos, Lima Barreto, Machado de Assis, Kabengele Munanga etc.

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião deste portal de notícias.

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Sobre Ao Ponto
GUILHERME ABRAÃO, formado em Direito pela PUC Campinas/SP, aluno de Ciências Sociais pela UNIFAL. Foi consultor da UNESCO, Conselheiro Estadual de Cultura, Superintendente de Cultura da Prefeitura Alfenas/MG, foi Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados, Assessor Jurídico da Prefeitura de Pouso Alegre/MG, e Diretor Municipal de Cultura em Estiva/MG. Vice-presidente do Circuito Turístico Lago de Furnas. Faça contato através do e-mail: [email protected]
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