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Saúde VACINAÇÃO CRIANÇAS

VACINA PEDIÁTRICA DA PFIZER CONTRA COVID-19 JÁ ESTÁ SENDO UTILIZADA EM ALFENAS

Especialista fala sobre a importância da imunização da população infantil contra o vírus

19/01/2022 17h22
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Por: Redação 4
Foto: Gil Leonard - Imprensa MG
Foto: Gil Leonard - Imprensa MG

 

Américo Passos

Alfenas iniciou a imunização da população infantil de 5 a 11 anos contra Covid-19, sendo que as primeiras doses serão destinadas às crianças com comorbidades, deficiência permanente, quilombolas e indígenas.

A vacina utilizada será a da Pfizer, que é específica para crianças, conforme explicou o secretário de estado de saúde Fábio Baccheretti no último dia (13/01), quando anunciou que Minas Gerais receberia cerca de 110 mil doses do imunizante.

Para levarmos à população a informação sobre a importância da imunização das crianças contra a Covid-19, O Alfenense entrevistou Sinézio Júnior, professor de epidemiologia e saúde coletiva da UNIFAL-MG.

O Alfenense: Qual a importância de se vacinar as crianças contra Covid-19?

Sinézio Júnior: Em primeiro lugar é justamente proteger essa população de uma doença e de um risco de morte imunoprevenível. Isso é uma questão civilizatória. Ao mesmo tempo, especialmente no cenário da variante ômicron, é necessário ter como alvo a cobertura vacinal da população total, dentro da qual, é claro, estão as crianças.

Para se entender um pouco melhor, a quantidade de pessoas não suscetíveis que precisamos ter para conter o crescimento do contágio da ômicron hoje é de 95% da população total. E nós só conseguiremos chegar nessa marca se somarmos de modo dinâmico a cobertura vacinal, o número de pessoas que já se infectaram e as medidas de prevenção não farmacológicas, principalmente o uso correto das máscaras.

Dentro dessa equação, as crianças são importantes para diminuir o número de potenciais transmissores da doença. Nesse sentido, é bom lembrar que a volta às aulas se aproxima e com mais um ou dois meses, o número de idosos e pessoas de população de risco que receberam a terceira dose já vai ter acumulado 4 meses, que é um tempo em que a proteção vacinal começa a ficar sensivelmente menor.

Quer dizer, a população infantil não vacinada traria risco a avós e parentes mais velhos, que muitas vezes colaboram no cuidado desses pequenos. E para termos ideia do efeito protetor da vacina e sua vantagem, vamos comparar alguns números. Nos Estados Unidos foram acompanhadas 7 milhões de crianças de 5 a 11 anos vacinadas contra a Covid-19, destas, oito desenvolveram miocardite, como efeito adverso mais grave. Todas se salvaram.

Em Minas Gerais, o risco de uma criança de 5 a 11 anos morrer de Covid-19, não simplesmente ter sintoma grave, é 7 vezes maior do que esse risco de ter miocardite devido à vacina. E a Covid-19 pode gerar uma manifestação gravíssima na criança que é a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica.

E essa síndrome não envolve apenas miocardite, que é a inflamação do coração, mas compromete rins, pulmão, sistema nervoso, entre outros órgãos. No Reino Unido, foram observados números que associaram um caso dessa síndrome a cada 5 mil crianças com Covid-19.

Quer dizer, o risco de ter essa síndrome é 175 vezes maior do que ter a miocardite provocada pela vacina. Enfim, para controlar e acabar com a pandemia e evitar morte e sofrimento evitável é fundamental vacinar as crianças. Inclusive os bebês, que, em Minas Gerais, por exemplo, representam 70% das mortes entre menores de 12 anos.

O Alfenense: A vacina para crianças é segura como a dos adultos?

Sinézio Júnior: A vacina para as crianças é tão ou mais segura do que para adultos. Lembrando que as doses para as crianças foram desenvolvidas especificamente para esse público. E os estudos protocolares de biossegurança foram realizados em todas as suas fases antes de se autorizar a vacinação das crianças. Quer dizer, não é uma vacina experimental.

O Alfenense: Ao vacinar as crianças contra Covid-19 e os adultos completarem o esquema vacinal, pode-se diminuir o número de contaminados por estas variações do vírus?

Sinézio Júnior: Sim, e isso é fundamental porque quanto mais contágio por mais tempo, mais risco de surgirem novas variantes de preocupação. Essa diminuição do contágio acontece porque nós diminuímos o número de suscetíveis, contribuindo para que o número de reprodução efetivo, a taxa de transmissão em tempo real na população fique menor do que 1, ou seja, uma pessoa transmite para menos de uma outra pessoa e com o tempo os casos vão acabando.

Mas, também é verdade que, apesar de a vacina proteger também contra a infecção (o contágio), ela é mais efetiva em evitar casos graves e mortes. Com a ômicron, esse poder de evitar o contágio diminuiu, daí o número explosivo de casos. Mas, sem a vacina, o cenário seria muito pior em termos de casos e mortes.

Temos também que nos preparar, possivelmente, para a quarta dose ou, mais provável, usarmos vacinas de segunda geração, quer dizer, vacinas feitas também com a variante ômicron. A Pfizer, por exemplo, já planeja o lançamento de nova vacina feita a partir da ômicron para março deste ano.

Assim é com a gripe. A covid-19 será uma doença com a qual a gente “mora”, quer dizer, endêmica, podendo ocorrer casos ao longo do tempo, mas em níveis baixos e controlados e se evitando casos graves e mortes com a vacinação.

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