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Ambientalista irá realizar expedição pelo Rio Verde utilizando um caiaque

O percurso será de 300 km saindo da cidade de Passa Quatro para a produção de um relatório sobre as condições ambientais do rio

22/04/2021 10h07 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação 4
Ronipeterson irá realizar a 5º expedição pelo Rio Verde e produzirá relatórios sobre as mudanças ambientas por todo o percurso/Foto: Arquivo Ronipeterson
Ronipeterson irá realizar a 5º expedição pelo Rio Verde e produzirá relatórios sobre as mudanças ambientas por todo o percurso/Foto: Arquivo Ronipeterson

Por Guilherme Abraão

O ambientalista Ronipeterson Landim Costa, mora em uma casa simples as margens do Rio Verde, na divisa entre Elói Mendes e Varginha, cria galinhas, da terra tira seus alimentos, divide a paixão pelo Rio Verde com seus cachorros pinscher.

Em 13 de junho de 2020 foi instalada no Rio Verde, abaixo da Ponte dos Buenos, entre Elói Mendes e Varginha, a maior ecobarreira do Brasil. O projeto, idealizado pelo ambientalista Roniperterson Landim, contou com o apoio de voluntários de diversas cidades da região e da Prefeitura de Elói Mendes.

Foram instalados 92 metros de barreira, cujo o intuito é reter os resíduos sólidos flutuantes (lixo) que, infelizmente, são descartados diariamente no Rio Verde. A localização da barreira é, ainda mais, relevante quando se atenta que ela reterá a demanda de 31 cidades, permitindo que as águas do Rio Verde cheguem livres destes resíduos no Lago de Furnas.

Depois de construir a maior eco barreira, instalada no rio em 2020, seu próximo desafio, e um sonho, é construir uma estação de pesquisa na margem do rio Verde.

Ecobarreira construída em 2020 e tem o objetivo de reter os resíduos sólidos descartados no rio Verde/Foto: Arquivo Ronipeterson

E no sábado, dia 24 de abril, às 8horas na cidade de Passa Quatro/MG inicia mais uma expedição pelo Rio Verde de caiaque, serão mais de 300km, está será sua quinta descida. Ao longo do percurso ele vai anotando, fotografando e observando as mudanças no rio, ao final sempre produz um relatório. 

Vamos conhecer um pouco mais da história do ambientalista Ronipeterson Landim Costa em uma entrevista especial ao O Alfenense:

O Alfenense/Você nasceu onde?

Ronipeterson: Nasci em Bom Jardim de Minas, em 06 de julho de 1979. Minha infância tem tudo a ver com os rios, na minha cidade natal, passa o Rio Grande e em Arantina, cidade de minha avó, tinha um rio no fundo, ao qual eu já tinha admiração e medo por aquele riozinho. Minha infância foi bem difícil, mas sobrevivi.

O Alfenense/Como nasceu a paixão pelo Rio Verde?

Ronipeterson: A paixão pelo Rio Verde, surgiu há muito tempo atrás, uns 13 anos. Mas só houve um encontro quando Deus através do Rio Verde, meu deu uma nova chance de vida!

O Alfenense/Quantas expedições já realizou?

Ronipeterson: No Rio Verde, já fiz 4 expedições e me preparo para iniciar a 5° edição, ela começa sábado, dia 24 de abril. Já fiz uma expedição pelo Rio Sapucaí, em janeiro de 2017, junto com um amigo chamado Christian Valias, sendo 196km em 4 dias de expedição, remamos muito, bem puxado.

O Alfenense/Quais os maiores desafios para descer o rio?

Ronipeterson: Um dos maiores desafios é a grande distância do ponto de saída ao ponto de chegada diário, o menor trecho tem 12 km e o maior tem 38 km, isso se torna muito cansativo, fora os obstáculos que é a grande quantidade de árvores caídas no leito do Rio Verde, que causa o acúmulo de lixos e aguapés que me obriga a fazer várias paradas, subir barrancos e arrastar o caiaque pela mata fechada até encontrar o leito do Rio sem obstáculos e continuar a jornada.

O Alfenense/O que você tem visto nestas expedições, tem aumentado a poluição e destruição das matas e do Rio Verde?

Ronipeterson: Nestas 4 expedições que foram realizadas em agosto de 2017, setembro de 2018, novembro de 2019 e novembro de 2020, nada mudou, sinto que piorou bem, os crimes ambientais continuam crescendo de maneira desenfreada, as dragas têm destruído as margens do Rio Verde, de uma maneira criminosa e pouco tem feito para coibir os crimes, eles com seus monstros estão matando nosso rio.

As cidades também retiram as águas sagradas do Rio Verde que passam pelo tratamento e chegam às casas da população, depois em troca o Rio Verde recebe esgoto in natura e muito lixo. É um crime e uma vergonha estes Municípios que não valorizam esse rio tão importante para o Sul de Minas, que ajuda a formar o Lago de Furnas, maior reservatório do Brasil.

O Alfenense/E qual o lado positivo destas descidas?

Ronipeterson: Eu vejo que as expedições têm conseguido tocar no sentimento das pessoas quanto ao pedido de socorro do Rio Verde, já pensei em desistir, mas o desejo de salvar esse Rio que salvou a minha vida é mais forte dentro de mim.

Eu penso que se não fosse as expedições junto com o acervo fotográfico e os relatórios que sempre elaboro após as expedições, nem as autoridades saberiam que o Rio Verde clama por socorro.

Acredito que não tenho como parar, apesar das dificuldades de se fazer uma grande expedição com mais de 300 km dentro de um caiaque somente com as forças dos braços, eu preciso continuar com esse trabalho prestado a humanidade!

O Alfenense/Quais os próximos planos e sonhos?

Ronipeterson: O meu maior objetivo é salvar o Rio Verde, já não é mais um sonho é objetivo de vida. No momento estou construindo uma estação flutuante de pesquisa que será colocada no leito do Rio Verde, junto com a maior barreira ecológica flutuante, aqui na Ponte dos Buenos, entre os municípios de Elói Mendes e Varginha.

Essa estação vai ter vários aparelhos para medir os parâmetros das águas do Rio Verde, que por aqui passam e a barreira para reter os lixos flutuante que vem das cidades acima. E poderá servir para Universidades, Escolas visitarem e utilizar a estação para pesquisas. Eu já comecei a construir ela, estou buscando parceiros para finalizar este grande sonho, que vai ajudar imensamente o Rio Verde.

O Alfenense/Nos deixe uma mensagem

Ronipeterson: O sonho que tenho é que a humanidade valorize o meio ambiente, os rios, as florestas, os animais sem eles não vamos sobreviver.  Existe um provérbio africano, que quem ofende um rio ofende a Deus!

 Confira o vídeo de Ronipeterson falando sobre a expedição:

* Guilherme Abraão é colunista e colaborador do Portal O Alfenense.

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