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Geral GOLPE?

A VERDADE REAL SOBRE O TAL GOLPE CONTRA A DILMA

Tentaram derrubar Dilma para salvar Lula e seu séquito e bando. Não contaram que o povo existe e não é mera massa de manobra. Não contaram com a tecnologia a costurar tudo. Não contaram que as leis são feitas para ser cumpridas como à época era a lei da ficha limpa. Não contaram com a atitude firme de Temer. Lula não foi impedido nem pela lei e nem pela Justiça de se candidatar. Foi impedido pelos crimes que praticou. O golpe para tirar a Dilma não deu certo como ele queria.

23/04/2021 12h14
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Por: Redação 4
Foto: Internet
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Victor Corrêa

Como filosofou nosso irreverente e saudoso pensador tupiniquim Millôr Fernandes, tão de meu tempo de juventude, e até tinha a frase como seu dístico: “livre pensar é só pensar”; e como isso se tornou um exercício único na formação filosófica dos apeados do poder para explicar a derrocada política de seu projeto sem qualquer contato com a realidade dos fatos, mas apenas fundados em cantilenas fruto da imaginação pura e simples para tornar verdade a mentira, velha técnica leninista mas também adotada por ditaduras de vários matizes como o nazismo e fascismo e atualmente pelo ridículo Maduro e o defenestrado Morales, me dou o direito de dar asas à minha imaginação e convicções, respeitadas sempre as imaginações e convicções em contrário.

Uma das lamúrias mais em voga propalada reiteradamente pelos canhotos políticos é que a Dilma, mero poste sem luz própria, foi vítima de um golpe orquestrado pela direita com comando de um obscuro juiz de primeiro grau em conluio com um quixotesco capitão reformado e deputado federal desconhecido do baixo clero do Congresso, mas que a rigor comandaram toda a incapaz Justiça brasileira e a pantaleônica Forças Armadas de nossa Pindorama, além é claro de nosso circense e mafioso Congresso.

Como todo crime tem motivo, qual seria o desse tão engendrado plano que de tão perfeito e elaborado o torna o mais exitoso da história desse país capaz de fazer vergonha a Getúlio Vargas, Antônio Carlos de Andrada e João Pessoa e toda sua trupe em 1930, a Prestes e seus seguidores na pantomima da Intentona comunista e tantos outros ditos líderes políticos? Entoa que claro é que foi elaborado e teve início há mais de trinta anos quando os militares começaram a se preparar para voltar ao poder sem ser pela força das armas, mas pela frágil democracia brasileira com um golpe branco conseguido com base na nossa incompreensível e tacanha legislação, em especial na Constituição atual elaborada por aqueles que se encontravam no poder e aí não teriam do que reclamar. Com isso escolheram um oficial qualquer (talvez agente da CIA) para ao invés de chegar a general fosse um dia presidente da República e de tamanha capacidade assim se tornasse comandante supremo das forças armadas e do poder civil. Isso acarretaria, num exercício de futurologia, a destruição do maior, mais genial e mais honesto líder democrático da história desse país e quiçá do mundo, futuro Secretário Geral da ONU, reconhecido pelo maior e mais forte país do mundo como “O cara” e principalmente rebaixando novamente a classe operária que tinha ido ao paraíso por suas mãos, passando a comer carne e a viajar de avião, e voltar ao inferno ou no máximo ao purgatório seu verdadeiro lugar.

Por favor, peço que não riam, afinal só estou relatando o que ouvimos e lemos diuturnamente e não fui eu que criei e nem tão pouco estou resumindo alguma comédia de Moliėre. Nos moldes da lei de Newton da ação e reação e do lema de Millôr, vou da mesma forma dar livremente asas aos voos de meu pensamento.

Penso realmente que Dilma foi deposta por um golpe que saiu do controle, mas não por aqueles que são acusados de o terem levado a cabo e sim por seus maiores inimigos: Lula e o PT e boa parte da chamada esquerda marionete.

Calma! Calma! Explico.

Dilma nunca foi do PT e só entrou nele para ser o poste de Lula para guardar-lhe o lugar com a certeza de que faria besteiras, desandaria um pouco o caldo, porém garantiria o fluxo de capitais e apoio por via da manutenção da corrupção, abrindo caminho para a volta triunfal do maior messias da história desse país, quiçá do mundo, e a sua perpetuação no poder surfando nas ondas marxistas da dialética histórica. Só não contavam com a astúcia e a birra da criatura contra seu criador. Ela pode ser limitada mentalmente, mas não é boba. Então foi preciso tirá-la da frente jogando a culpa nos outros, a direita, o que se afigurou melhor que a encomenda. Mas esqueceram de passar o roteiro com outros personagens por seu absoluto desprezo ao Q.I. dos outros atores que o cercam, imaginando na certeza como sempre que não passam de meros joguetes ou peças a serem descartadas no jogo e interesse deles vocacionados por direito natural ao exercício pleno do poder. Essa peça fundamental, como um cavalo do xadrez, mas com objetivo único de resguardar o rei era o impassível, confiável e fisiológico Michel Temer. Um verdadeiro eunuco a defender o poder real, sem dúvidas alguma. Tanto que foi alçado novamente ao seu posto em que nada sabe, nada vê, nada escuta. Tinham tanta certeza como dois e dois são cinco de que o vampiro brasileiro renunciaria convocando novas eleições que abriria caminho para a volta mais triunfal ainda do invertebrado com uma eleição esmagadora, afinal quem teria condições de enfrentá-lo nas urnas? Entendiam que era sua obrigação para com o rei e o partido que lhe concedeu e emprestou o posto e não para com o país, pobre país. Mas novamente não contavam com a astúcia e a birra da vicecriatura. Outro erro grave. Já disse o historiador inglês Lord Acton que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente e eu diria que além disso torna o absolutista com vista entumecida e ouvidos moucos; só enxerga e ouve aqueles que dizem o que quer ouvir. Não contaram com a astúcia e inteligência do chiróptero que resolveu cumprir com seu papel constitucional e ninguém podia fazer nada, afinal é professor de direito constitucional e apesar de por todos os meios tentarem um golpe para removê-lo, o máximo que conseguiram foi transformá-lo em um inacreditável Mefistófeles.

A certeza de que o golpe daria certo com a cumplicidade de Temer era tamanha que Lula nem se candidatou a cargo algum na reeleição de Dilma. Se tivesse se candidatado a senador ou deputado teria se blindado para as ações judiciais que tomavam forma contra ele e seu bando. Mas se acreditava tão magnânimo e intocável com seu próprio exoesqueleto que nem vislumbrou essa necessidade, ainda mais que em breve seria presidente novamente. Quem ousaria tamanho desplante? Favas contadas.

E não é só! Como alardeava antigo e primeiro canal de compras pela TV.

Qual a origem da representação contra Dilma que levou ao tão engendrado golpe? O PT e a esquerda. Os signatários da representação para o impeachment de Dilma foram Hélio Bicudo, Miguel Real Jr e Janaína Paschoal. Hélio Bicudo respeitado jurista fez sua carreira no Ministério Público de São Paulo. Combateu a tortura e a perseguição política do regime militar e foi o principal algoz do malfadado delegado Sérgio Paranhos Fleury. Foi um ministro do dito comunista João Goulart; um dos fundadores do PT sendo signatário de sua primeira ata; candidato pelo senado pelo PT de SP; secretário no governo de Luiza Erundina em SP, em seguida deputado federal pelo PT. Por fim, vice-prefeito de Marta Suplicy em SP.

Miguel Reale Jr. jurista também com carreira política sempre se postou como de centro esquerda tendo exercido diversos e importantes cargos nesse viés ao lado de Franco Montoro, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, estes dois últimos inimigos do regime militar e sempre se postando mais como de esquerda.

Janaína Paschoal também tratada como jurista trabalhou desde estagiária com o jurista Roberto Podval com quem atuou na defesa de José Dirceu; foi assessora de Geraldo Alckmin, também auto declarado centroesquerda, e teve como orientador de doutorado Miguel Reale Jr. com quem foi depois trabalhar como assessora dele como ministro da justiça de FHC. Fruto de sua atuação no impeachment, foi oportunamente eleita deputada estadual pelo PSD de centro esquerda. Coisa que jurava não ia fazer.

Pois bem, o tal golpe que se iniciou com a representação tem origens umbilicais com o PT e sem maiores esforços de livre pensamento é possível enxergar ligação total com o próprio Lula; ou alguém imagina que aconteça qualquer coisa entre o céu e a terra que envolva qualquer assunto ou integrantes do PT não tenha de ter a participação ou no mínimo o beneplácito do comandante mor?

Sem dar muito azo a continuar soltando o pensamento, me parece óbvio, não carecendo de maiores observações, que não é crível se imaginar que o impeachment teria prosperado no Congresso sem a bênção e omissa adesão branca do PT e seus marionetes, apesar de todo o teatro mambembe que toda a esquerda unida fez. Quisessem eles teriam impedido que acontecesse. Isso em direito penal é chamada de conduta omissiva-comissiva, ou seja, por uma ação aparentemente negativa se produz um resultado positivo. Acredito com fervor que se quisessem os próceres da esquerda, a Dilma não teria sido cassada. O fato é que a queriam fora. Tanto assim que por conluio e escancarada manobra do ministro Lewandovisk, filhote e criação de Lula, que presidia o julgamento do impeachment em coautoria com o malfadado senador Renan Calheiros então presidente do Senado não lhe cassaram os direitos políticos, o que só veio a acontecer de fato pelo brioso povo mineiro, dessa feita sem fraude. Deram-lhe um prêmio de consolação, tudo magistralmente planejado e executado, numa decisão evidentemente inconstitucional e que até hoje o STF não julgou. Isso me leva a concluir que ela sabia de tudo e aceitou plenamente.

Mas porque não deu certo o golpe nesta narrativa? Simples.

Além dos pontos já abordados, havia lá no Paraná uma Polícia Federal valente, um Ministério Público destemido e um juiz de primeiro grau corajoso. Eram tão desconhecidos e considerados ínfimos que nem foram observados e levados a sério pelo Ali Babá e seus asseclas. Eram irrelevantes.

Houve também algo que nunca pensaram que tivesse cabeça e cérebro: o povo, especialmente a classe média que estava exaurida e tinha sido fator fundamental na ascensão de Lula e sentindo-se traída saiu às ruas e se organizou por meio da nova tecnologia da internet e que por isso é tão controlada nos países socialistas “democráticos”, sonho dos nossos democratas canhotos e caolhos, e que no momento está em andamento um projeto no Congresso e decisões no STF que visam única e exclusivamente controlar esse meio de manifestação e articulação do povo brasileiro para calá-lo. Esse esfalfamento propiciou o surgimento de uma nova proposta que foi acatada por esse povo cansado de pão e circo de nada adiantando Olimpíadas e Copa do mundo de futebol severamente criticadas.

Do alto do Olimpo, não perceberam os integrantes do dodecatão da maracutaia e do engodo, para se manterem em suas dachas reais, que o próprio Zeus-Lula havia permitido que se votasse e ele sancionara a lei da ficha limpa que tornava inelegível quem for condenado por decisão unânime de órgão colegiado. Mas porque justo ele se preocupar com isso? É preocupação para meros mortais. Mas quando a realidade começou a se aproximar do Olimpo, urgiu imperiosamente uma eleição, tornando imprescindível desocupar o trono presidencial. Nada melhor que um golpe aparentemente levado a cabo pela direita e oposição e a eleição caindo no colo de Zeus. Tristes trópicos.

Nada disso imaginavam, muito menos que um alentado D. Quixote seria capaz de vencer o moinho de vento e se eleger presidente da República. Acho que já dá para parar de livremente pensar, mas resumindo acredito piamente nisso tudo que livremente pensei. Principalmente diante de toda a opereta bufa que encenam por aí para tentar explicar os erros que não admitem que cometeram.

Tentaram derrubar Dilma para salvar Lula e seu séquito e bando. Não contaram que o povo existe e não é mera massa de manobra. Não contaram com a tecnologia a costurar tudo. Não contaram que as leis são feitas para ser cumpridas como à época era a lei da ficha limpa. Não contaram com a atitude firme de Temer. Lula não foi impedido nem pela lei e nem pela Justiça de se candidatar. Foi impedido pelos crimes que praticou. O golpe para tirar a Dilma não deu certo como ele queria.

Não foi o Sancho Moro e o D. Quixote de La Bolsonaro com tudo que representam que o tiraram então do jogo político. Ele se tirou. O golpe saiu pela culatra. D. Lula I e único galgou o cadafalso com suas próprias pernas e erros.

Com isso, arquitetaram o novo golpe que está em pleno andamento para que ele volte com aparência de legalidade e sob o manto de que foi o maior mártir da história do Brasil, a fazer Tiradentes espernear na tumba da história. Entretanto estão mais uma vez desprezando o fator mais importante de uma democracia e de uma República: sua Excelência o POVO. República que justamente quer dizer isso: “res” significa “coisa” e “publicum” povo, ou seja, “coisa do povo”. Do povo e não deles, uma democracia do povo. Como o Mao Tsé Lula criou a divisão no Brasil entre “nós” e “eles”, a república democrática é nossa e a ânsia pelo poder é deles.  Vão quebrar a cara de novo; não aprenderam a lição. Vox Populi Vox Dei. A história mostra isso, mas eles não sabem ler.

 

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Sobre DIREITO E REALIDADE / Breves divagações sobre o Direito e a realidade que nos cerca
VICTOR CORRÊA DE OLIVEIRA, Promotor de Justiça em Minas Gerais por quase 30 anos, aposentado; professor de Direito da UNIFENAS por quase 25 anos, ministrou as cadeiras de Introdução do Estudo do Direito, Direito Civil e Direito Penal; Juiz de Direito concursado em Minas Gerais em 1.992. Formado em Direito na PUC/SP, cursou Engenharia Mecânica na UNIFEI e jornalismo na PUC/SP. Manteve uma coluna sobre Direito no Jornal dos Lagos e outros jornais da região por vários anos.
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